Considero dois exemplos (um no Ballet, outro no Teatro) extremamente interessantes: a constante troca entre Anthony Dowell e David Wall no Ballet der Sir Frederick Ashton “Manon Lescaut”. Aqui Wall como o calculista “Lescaut”, irmão de Manon.

Certamente esta atitude levou os dois “Danseurs” à uma melhor compreensão dos papéis, dos motivos de “Lescaut” e de “Chevalier DesGrieux”.
Gostaria muito de ter visto Dowell como o cínico Lescaut. Nunca tive esta oportunidade. Reparem nesta foto… a pureza de Wall como DesGrieux contrastatada à frieza de Dowell como Lescaut. Que foto magnífica!

No teatro ingles, uma similar situação causou um grande furor nos anos 30. Laurence Olivier e John Gieguld (os dois no futuro seriam transformados em “Sirs”) trocaram, em "Romeu e Julieta", os papéis de Romeu e Mercutio. Esta produção gerou um pequeno escândalo, entre os “connoisseurs” shakespearianos, pela “nota” homosexual que os dois deram à relação entre Romeu e Mercutio. Aqui um jovem Gieguld, que muito iria sofrer na Inglaterra por causa de sua homosexualidade.

Ambos atores confessaram ter avançado muito na sua compreensão destes complexos personagens. Imaginem só, um dia Olivier como Mercutio e no outro como Romeu (compreendendo de dentro de seu Romeu toda a amizade e amor que Mercutio por ele sente – e vice versa. Empatia pura, não é?). Fascinante!
Alguém ainda se lembra de como Laurence Olivier era atraente nessas épocas?

Eu, até hoje, no trabalho, gosto que os empregados da firma “troquem” de emprego durante alguns dias… a confusão é grande, mas o resultado, a compreensão que é alcançada entre os diversos departamentos é uma coisa inigualável!
No cinema, por motivos óbvios, não existiram “trocas diárias” como feitas no teatro ou no Ballet. Mas papéis foram as vezes dados para atores que não estavam previstos para interpretá-los.
Pensem na produção de “Dr. Jekill & Mr. Hyde” (O Médico e o Monstro) com Spencer Tracy, Ingrid Bergman e Lana Turner. Por razões óbvias, Lana Turner (pelo fato der mais “óbvia”) estava escalada para o papel da “garçonete” que tem um caso com Mr. Hyde. Ingrid, que ía interpreter a “boazinha” noiva de Dr. Jekyll, sugeriu a troca de papéis. Lana virou «a pura».

Ingrid conseguiu não só roubar o filme como também fazer um grande sucesso de público e crítica – exatamente por libertar-se, por um curto período, do clichée, do «espartilho» no qual Hollywood estava colocando-a (e depois colocou definitivamente – Bergman necessitaria anos de “exílio” e uma ligação amorosa e, para a época, escandalosa, com Rossellini para um dia não ser mais “typecast”).

Logo Bergman. Mulher que só tinha uma coisa em meta. Sua carreira! Mas isto já é uma outra estória para outro dia…
13 comentários:
Oi, Ricardo!
Adorei as fotos e as informações curiosas. Não sabia que Olivier tinha desempenhado Romeu/Mercutio no teatro! Aliás, essas trocas dos papéis no teatro são fascinantes porque descolam a imagem do personagem da do intérprete. O mesmo que aconteceu com a Ingrid Bergman, que está fascinante no papel da sensual dona de bar do Médico e o Monstro. A troca deu certo pra ela, que se certamente sobrepôs a Lana Turner (aliás, quem é essa?!).
Ingrid era muito talentosa - acho-a a melhor dentre as atrizes de cinema da época - mas realmente bem "esperta" (não a quereria como parte de minha família). Não consigo deixar de pensar que ela tenha começado uma relação com Rossellini por interesse. Bem, melhor pra nós, porque se Stromboli é mais ou menos, Viagem a Itália é uma das coisas mais bonitas que já vi. Você já a viu como Hedda Gabler, um teleteatro produzido pela BBC? Incrível!
Bjocas. Cuide-se, hein! Já está "zero bala" das costas? Espero que sim!
Dani
Oi querida, entao terei um dia que fazer uma postagem sobre um Romeu e Julieta de 1940 na Broadway com Larry e Vivin Leigh (e no qual eles perderam TUDO o que tinha investido). Sobre Ingrid tenho a mesma opiniao: até filme na UFA ela fez durante o regime nazista de Hitler (a guerra nao tinha comecado) fato este pelo qual foi muito criticada na (pacífica) Suécia... quanto à Lana Turner adorei voce nao conhce-la (sempre foi meu "desafeto"... sempre disse que parecia ter um "P" na testa)... Comecou junto com Mickey e Judy, desenvolveu-se em menina bonitinha (Ziegfeld Girl ao lado de Hedy Lamarr e Judy) até "Femme Fatale" (The postman rings twice) e virou mae chorosa e trágica (Peyton Place). Uma chata!!!!!
Oie, Ricardo!
Vou adorar ler essa postagem! O Romeu e Julieta com os dois deve ter sido uma maravilha! Curioso eles terem perdido dinheiro com a produção!
Sabe, a única coisa que me lembro sobre Lana Turner é em "The major and the minor", quando o aspirante a soldado conta a Ginger (supostamente uma menina de 12 anos), que todas as garotas feiosas da escola feminina de perto do quartel arrumavam os cabelos a la Lana Turner. E aí entram elas, em fila, todas com um olho coberto, numa mistura de pureza e safadeza tão de mal gosto que a personagem de Ginger cai na risada!
Essa história do filme de Ingrid pela UFA eu não sabia! Mas sei que lá pelos anos 20 eles tinham um cinema solidíssimo - Miss Bergman viu aí (infelizmente) outra possibilidade de expandir horizontes como atriz.
Bjocas e inté logo!
Dani
Era o penteado de Lana Turner ou de veronica Lake???? Sabe que estou na dúvida? ;-) Ah... nao importa! Danielle, seus comentários sao maravilhosos!!!!!
Lindas fotos Richey, adorei tudo.
Bjussssssssss da Marroney.
Legal esse post e essas trocas são realmente muito ricas e voê om sua inteligenia onseguiu leva-la para o trabalho.
A onversa entre voê e Danielle valem um post, são ótimas
beijos
Wow! Larry... So young and handsome! Mike
Ricardo, querido, você tem razão (:D :D :D)!! Revi o trecho do filme agora pra fazer o tira-teima (sabe que não sei quase nada sobre Veronika Lake?)! Então, isso significa que eu sabia menos ainda do que imaginava sobre a Lana Turner (hehehehe). Sério, ela me passou totalmente desapercebida no Médico e o Monstro...
Bjocas e inté logo. Adoro ler suas tertúlias!
Dani
Angela tem razão, você e Danielle tertuliando valem como um post à parte! Adorei!
Puxa, quanta informação. Aprendi bastante com o seu post e amei as fotos.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja um bom feriado para você.
Fique na PAZ !
Saudações Educacionais !
Obrigado, que comentários ótimos. Viu, Danielle? Alice, que saudades... já tinha tempo que voce nao passava aqui! Silvana, bem-vinda! E (curioso como sou) de quem que voce ouviu sobre as tertúlias? Angela, voce como sempre prestigiando! Adoro tua forma de ver as coisas - assim como adoro teu blog!
Um lindo dia para todos!
Oie!
Pessoal, vocês são demais! Mas, sério, é um prazer falar sobre cinema com você, Ricardo! E Tertuliar com todo mundo que te visita!
Bjos a todos vocês e Feliz Páscoa! Apreciem-na com alguma moderação. :D
Dani
Aproveitando o gancho dos "cabelos" da Veronica Lake, li há relativamente pouco tempo que, como naquele tempo havia pouca fiscalização quanto à segurança das fábricas, aconteceram muitos acidentes com mocinhas operárias, que acabaram tendo seus cabelos à La Lake presos em máquinas! Não é horrível isso??
Acho comum a confusão entre Lake e Turner. Realmente não sei muito sobre a ambição da Ingrid Bergman, que era a favorita do meu pai até se casar com Ali Khan. Meu pai nunca a perdoou por ter traído o primeiro marido :)!
Mas eu gostava (e gosto) dela como atriz. Eletrizante, magnífica. E bonita também. E a filha com Rossellini herdou muito da beleza da mãe. Vi-a em alguns filmes em que não saiu-se mal, apesar de não ser uma grande atriz. Tempos de grandes personalidades artísticas...
Beijo
Maurette
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