Mostrando postagens com marcador West End. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador West End. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Londres & Chicago & meu amigo Antonio

Passar um prolongado fim-de-semana em Londres é uma coisa muito gostosa que já não fazia há mais de 10 anos apesar do voo ser realmente curtíssimo. Ter tempo para passear e fazer compras no „Harrods“ ou (para mim melhor) no „Selfridges“ é uma delícia. Encontrar um amigo querido e do coração como o bailarino Antonio Negreiros e passar o tempo conversando, „fofocando“, passeando, jantando, matando as saudades e rindo é um presente ainda maior. É como estar em casa fora de casa. Amizade sincera é assim.
Para dar uma „nota especial“ extra ao fim-de-semana assisti pela primeira vez (pasmem, 34 anos depois da estréia!) „Chicago“ – espetáculo musical original de 1975 que, nesta nova versão „supervisionada“ por Ann Reinking (100% a coreografia original de Fosse), voltou às luzes da Broadway e desde 1997 está no West-End!
Eu, já nos anos 70, tinha o disco, sabia as músicas, as falas de cor e salteado mas NUNCA tinha tido a oportunidade de ve-lo completo, ao vivo. A coreografia de Bob Fosse foi, é e sempre será um dos meus elementos preferidos num Show. Talvez este tenha sido um dos motivos de não ter gostado da versão cinematográfica. Não foi baseada no original de Fosse.

Fiquei deslumbrado com a „diversão e animação“, com o „tempo“, com o „pique“ que este Show tem. O tempo literalmente „voou“ e quando me dei conta o Show tinha acabado. Tudo perfeito com uma maravilhosa orquestra, elenco secundário e bailarinos/cantores (apesar de achar os bailarinos no West-End muito musculosos, muito "body-builders". Mas esta parece ser agora a „moda“. Todos porém com extensoes incríveis… Que pernas!).

Descobri uma nova „Roxie Hart“ e me apaixonei por ela. Linzi Hateley. Sensacional. Lembrem-se deste nome. Uma ótima cantora., ótima bailarina, ótima atriz e por cima de tudo engraçadíssima! Ela de certa forma (além do fato de ser mignon e ter a cabeça um pouco grande para o corpo), tem aquela qualidade elétrica e energética, quase neurótica que Judy Garland tinha. Como se tivesse acabado de tomar uma xícara de chocolate com anfetaminas… Uma daquelas pessoas que nos faz pensar: Tanto talento e energia dentro de um tão pequeno corpo!

Eu saí do teatro em „extase“ (apesar da cena final com Roxie e Velma ter sido "fraca"): como faz bem ver-se tanto talento, tanta inventividade, tanta disciplina numa só noite – e isto num pequeno espaço de 2 horas e meia, durante as quais nem por um segundo perdi a atenção ou me desprendi do palco, de cada detalhe, de cada passo, de cada nota… Que noite maravilhosa. Batemos papos até as altas horas num restaurante italiano no West-End… „digerindo“ o Show (Antonio veio da nova produção de „La Cage“ e nos encontramos para jantar).

(Para finalizar o fim-de-semana, antes do embarque no aeroporto de Heathrow, sentou-se ao meu lado na Sala VIP ninguém mais nem menos do que Susan Boyle, que há alguns meses atrás comoveu o mundo inteiro quando apareceu naquele programa ingles de „calouros“ chamado „Britain’s got Talent“.

Uma pessoas simpática e faladora – falava simplesmente com todo mundo! E como sorria... Adoro pessoas que sorriem...)

Aqui Linzi em 2003, num vídeo amador, no West-End como Roxie... nestes seis anos ela mudou: Sua Roxie ficou loira e ainda melhor!
">

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Supporting actors/ actresses VI: Billie Burke


Billie Burke, que nasceu em 1884 em Washington como Mary William Ethelbert Appleton, é hoje em dia, únicamente relembrada por seu papel como Glinda, a boa bruxa do Norte, a fada do “O Mágico de Oz” (MGM 1939). Filha de um palhaço de circo chamado Billy Burke (!) ela; ainda criança viveu numa interminável Tournée pelos U.S.A. e Europa. Sua família finalmente estabeleceu-se em Londres, onde assistindo os clássicos espetáculos do West-End ela decidiu tornar-se um dia uma atriz.


Ela debutou nos palcos londrinos aos 18 anos de idade, foi bem recebida pelo publico e crítica, transformando-se assim em pouco tempo numa das atrizes mais populares dos palcos londrinos. Mas a Broadway chamava. Aos 22 anos ela desembarcou em New York e não mais parou de trabalhar. Apesar do teatro ser seu “primeiro amor” ela começou a fazer filmes em 1916. Ela considerava-se, em primeiro plano, uma atriz de teatro (onde ela pelo menos tinha papéis “falados”).


Em 1921 ela apareceu em “The Education of Elizabeth” e logo depois retirou-se dos palcos. Ela tinha-se casado já em 1914 com o famoso produtor e empresário Florenz Ziegfeld e com toda sua fortuna bem investida no mercado de Wall Street, não havia realmente nenhuma razão pela qual ela tivesse que trabalhar. Desta forma poderia dedicar-se mais à filha que havia nascido em 1916. O que não estava planejado foi o “Black October” em 1929 quando a bolsa enlouqueceu e êles, Mr. & Mrs. Florenz Ziegfeld, junto a milhares de outros, perderam tudo o que possuíam! Billie não teve outra opção há nao ser voltar ao cinema. “Flo” estava completamente arruinado, o que lhe custou também a saúde e lhe causaria a morte.

Este famoso e elegante casal do teatro de N.Y. transferiu-se para a Califórnia.


Seu primeiro papel com alguma “substancia dramática” foi o de mãe de Katharine Hepburn em “A Bill of Divorcement” (RKO, 1932). Este filme só é mencionado hoje em dia por ter sido o primeiro de Kathe Hepburn. Ela agora estava mais “de bem” com o cinema - já que tinha diálogos e falas... Infelizmente “Flo” morreu neste ano e depois do enterro ela teve que, muito profissionalmente, voltar às filmagens.

Um de seus melhores papéis veio com a produção de David O.Selznick “Dinner at Eight” (1933). Mrs. Paula Jordan, a anfitriã do “jantar as oito”. Ao lado de Lionel Barrymore, Wallace Beery, Jean Harlow e Marie Dressler (fenomenal), um incrível e forte elenco, ela brilhou, dirigida como em “Bill” por George Cukor. Como a “avoada” espôsa de um dono de uma compania de navios em grandes problemas financeiros, ela teve um papel divertidíssimo, um grande sucesso e sua volta ao “Top” do Show-Business.

Em 1936 o musical “The great Ziegfeld” foi produzido pela MGM. Esta biografia do “rei” da Broadway deu o papel de Anna Held, a primeira espôsa de Ziegfeld e um Oscar à Luise Rainer (vide minha postagen de 12.10.2008), que no ano seguinte ganharia outro Oscar por sua interpretacao em “The Good Earth” (MGM, 1937). Para retratar Billie nas telas foi escolhida a deliciosa Mirna Loy.

Em 1938 ela foi nominada para um Oscar por “Merrily we live”. Provávelmente sua melhor atuação no cinema, apesar do fato dela ter sido imortalizada como “Glinda” no eterno “O Mágico de Oz”.


Outras atrizes foram cogitadas para este papel. Temos porém que agradecer à inspirada idéia de Mervin LeRoy em colocá-la neste filme. Billie estava já com 54 anos durante as filmagens. Para a época muita idade para transformar-se numa fada. Ela realmente “brilha” como Glinda... Sua voz, muitas vêzes usada comicamente em seus papéis de matrona aloucada da alta-sociedade (como se tivesse aspirado um balao cheio de gás helium) é usada de uma forma doce e suave... Sua impostação é exemplar, a “cor” da voz é clara, translúcida... numa espécie de “Mid-Atlantic English”. Não britânica e jamais americana... Inesquecível. A fada-mor de todos os tempos!


Sua estrêla continuou a brilhar e entre 1940 e 1949 fez 25 filmes. Sua última aparição no cinema foi em 1960 aos 76 anos de idade em “Sergeant Rutledge”.

Billie morreu de Alzheimer e causas naturais em 1970, aos 85 anos de idade. Sua única filha com Ziegfeld, Patricia, seguiu-a em 2008. Mas foi a própria Billie que uma vez disse:

“Age doesn’t really matter unless you’re a Cheese”

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Supporting actors/actresses V: Estelle Winwood


A quinta postagem desta série segue distintos nomes do teatro e cinema como Mary Boland (agôsto de 2008), Gladys Cooper (outubro de 2008), Jean Hagen e Elsa Lanchester (novembro de 2008) é dedicada a outro rosto, um rosto muito interessante por sinal, que vimos e revimos muitas vêzes ao passar dos anos: a deliciosa Estelle Winwood.

Estelle “Goodwin” nasceu em 1883 (algumas fontes dizem 1882) , em Kent/ Inglaterra e “decidiu” aos 5 anos de idade tornar-se atriz! Ela frequentou a escola de teatro da “Liverpool Repertory Company” antes de ir para Londres, trabalhar no West-End. Estamos falando de 1899! Depois de muitos anos de experiência no teatro inglês, ela resolveu ir em 1916, já não mais uma “criança” para a época (33, 34 anos), para os Estados Unidos onde ela debutou na Broadway.

Até o início dos anos 30 ela dividiu sua carreira entre os palcos londrinos e americanos e seus muitos sucessos foram “Why marry?” (1918) que tem a distinção de ser a primeira peça da Broadway a ganhar um Pullitzer Prize, “The Circle” de Somerset Maughan (1921), “The Importance of being Earnest” (que ela também dirigiu em 1939) e “Lady Windermerer’s Fan” (1947), ambos de Oscar Wilde, assim como “O pirata” (“The Pirate”,1942) que depois no cinema viraria um musical com Judy Garland e Gene Kelly dirigido por Minnelli e musicado por Cole Porter, “Ten Little Indians” (1944) e “A louca de Chaillot” (“The Madwoman of Chaillot”, 1948), uma magnífica peça do fantástico Jean Girardoux que muitos anos depois transformou-se num bom (porém esquecido) filme com Katharine Hepburn.
Aqui uma de minhas fotos preferidas de Estelle, como a "Madwoman".

Como uma grande maioria de atores do seu tempo, Estelle expressava uma aversão ao cinema… Tanto que só debutou no cinema em 1933 (já com 50 anos) em “The House of Trent”, apesar de ter-se destacado pela primeira vez só aos 54 anos em “Quality Street” (1937), um veículo para Katharine Hepburn, que estava numa fase muito crítica de sua carreira, tendo sido rotulada “Box-Office-Poison” (ao lado de grandes ilustres da “Silver Srceen” como Garbo, Crawford e vários outros).
Ela, apesar de muito calma, sempre foi conhecida por atitudes muito inesperadas e surpreendentes... como por exemplo trabalhar na televisão ("Blithe Spirit", 1946) numa época em que esta ainda engatinhava... Nos anos 50 ela trabalhou muito na TV em Shows semanais como “Robert Montgomery presents...”, Alfred Hitchcock presents...”, “Donna Reed presents...”, “Anne Sothern presents...” e o ótimo “Studio One”. Todos programas que lhe davam oportunidade de apresentar-se em vários personagens e mostrar sua versatilidade...

Estamos falando de uma atriz secundária, de muito pêso e carisma, que já estava com seus setenta e poucos anos, quando realmente encantou-nos com uma mágica interpretação da Fada-Madrinha de Cinderella (Leslie Caron) em “The Glass Slipper” (“Sapatinho de Cristal”, MGM 1955) e como a engracadíssima Tia de Grace Kelly no eterno “The Swan” (“O Cisne”, MGM 1956) de Mólnar.

A Fada-Madrinha é uma criação mais do que excepcional. Nela vejo um pouco de uma mendiga, de uma velha Hippie, de uma filósofa, de uma louca de rua, o sopro de uma Diva e muita, muita mágica... Encantadora! E que dimenção ela deu a este personagem!

Mal poderia imaginar-se então que aquela interessante Senhora, com olhos tão grandes e saltados e traços tão finos e marcantes, tinha sido um dia na juventude considerasa uma verdadeira “Beldade”... Nós só a conhecemos mais velha... Mesmo assim, acho-a bonita! É a transparencia com que trata seus papéis...

Mas Winwood nunca parou, sua energia parece ter sido inesgotável. Trabalhou em “Os desajustados” (“The Misfits”, 1961) com Marilyn, Gable e Clift, em “The notorious Landlady” (1962) um maravilhoso (e infelizmente também esquecido) filme de Richard Quine com Kim Novak, Jack Lemmon e Fred Astaire – com roteiro de um jovem Blake Edwards - e que, como sequência final, possui uma “perseguição” na melhor tradição de Mack Sennett... sim, na melhor tradição do cinema mudo... E a perseguição, colina abaixo é toda encenada ao redor de uma cadeira de rodas, na qual Estelle está todo o tempo sentada! Hilariante! Este filme deveria ter uma “Revival”.
Winwood era amissíssima da notória Tallulah Bankhead (vide minha postagem de 01.03.2008, esta eu realmente recomendo se quizerem rir... ). Duas personalidades tão opostas só poderiam ser tão próximas; as duas foram amigas íntimas dos anos 30 (quando bebiam muito no “Algonquin” em NY) até a morte de Tallulah em 1968. Aqui elas duas, ao lado Joan Blondell, no palco da Broadway em “Crazy October” (1958).


Estelle a “lady”, "inglesíssima" (ou como alguém a definiu: prim, soft-spoken and proper) disse uma vez a um amigo que acabara de ver Tattulah (“The outrageous”) andando nua pela casa: “ I don’t know why Tallulah likes to run around naked. She has so many pretty frocks”.
Aos 84 anos trabalhou em “Camelot” (1967, vide minha postagem de 03.03.2008) e aos 85 em “The producers” (1968) de Mel Brooks – filme que depois ela mais ou menos renegou, acentuando que não tinha-o feito senão pelo dinheiro... Hoje é o filme mais “cult” de todos que participou!

Continuou, apesar da idade em seriados da televisão como “Dr.Kildare”, “Perry Mason”, “O agente da U.N.C.L.E.”, “A feiticeira”, “Dennis, o travesso”, “Batman”, “Cannon”, “The Twilight Zone” e “Police Story”. Como disse, de uma energia inacabável!

Seu último papel no cinema foi em 1976, aos 93 anos, no MAGNÍFICO e INTELIGENTÍSSIMO “Murder by Death” de Neil Simon, como a enfermeira de Elsa Lanchester, que na vida real era uma “arqui-inimiga”... as duas sempre se detestaram e se insultavam todo o tempo! Para mais sobre Elsa vide minha Postagem de 14.11.2008. Neste ultimo filme ela dividiu “a ribalta” com nomes como David Niven, Maggie Smith, Alec Guiness, Peter Sellers, Eillen Brennan, Nancy Walker, Peter Falk, Truman Capote e James Coco. Este é um dos meus filmes preferidos... Assisti-o na época com minha mãe no “Bruni Copacabana” e já revi-o muitas (muitas mesmo) vêzes... e rio sempre!

Winwood foi casada seis vêzes e nunca teve filhos. Alguns desses casamentos foram considerados “lavender marriages”, ou seja, casamentos de conveniência, já que alguns dos maridos eram abertamente “gays” (um deles, Guthrie McClintic, tinha sido casado com Katherine Cornell, famosíssima no teatro em sua época e abertamente lésbica).
Quando ela apareceu pela última vez na televisão em 1979, na série “Quincy”, tornou-se, com 96 anos, a atriz mais velha ainda ativa nos Estados Unidos.
Ao completar 100 anos um jornalista perguntou-lhe como “se sentia” em ter 100 anos? Ela respondeu: “”Que rude de voce lembrar-me!” (“How rude of you to remind me!”).
Winwood alcancou 80 anos de carreira – dos 16 aos 96 anos - e quando morreu, dormindo, aos 101 anos de idade era o membro mais velho do Screen Actors Guild.

No livro inacabado de Truman Capote, “Answered Prayers”, ela aparece como ela mesma: ela vai à uma festa, onde todos estão bêbados, inclusive Tallulah Bankhead, Dorothy Parker e Montgomery Clift!

No último 24 de Janeiro, ou seja, seis dias atrás, Estelle haveria completado 126 anos. Querida Estelle, onde voce esteja: HAPPY BIRTHDAY, LOVE!!!!!!!!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Supporting actors/actresses IV: Elsa Lanchester

A quarta postagem desta série segue distintos nomes do teatro e cinema como Mary Boland (agôsto de 2008), Gladys Cooper (outubro de 2008) e Jean Hagen (november de 2008) é dedicada a outro rosto que vimos e revimos muitas vêzes ao passar dos anos: a deliciosa Elsa Lanchester
Lanchester, nasceu na Inglaterra em 1902, filha de um casal que não acreditava na instituição chamada casamento (Lanchester: “My parents were always a bit arty. They supported pacifism, vegetarianism, socialism, atheism, and all that”). Aos 10 anos de idade ela foi enviada para Paris para a “Isadora Duncan School of Dance”, pessoa aliás de quem ela nada gostou, mas voltou em 1914 para Londres por causa da I Guerra Mundial. Ela gostava da dança mas também do teatro e debutou num “Music-Hall” como bailarina egípcia em 1920. No West-End ela debutou em 1922 e junta com seu partner, Harold Scott, abriu um “Night Club” em 1924. Nêste eles apresentavam peças de um só ato de Tchekov e Pirandello, além de cantar canções de cabaré. Entre os frequentadores estavam pessoas como Aldous Huxley, o engracadíssimo e espirituoso H.G.Wells (que escreveria três roteiros para filmes que ela faria em 1928), Evelyn Waugh (o grande autor de “Brideshead revisited”, responsável pelo primeiro filme – amador – de Lanchester em 1927) e James Whale, que trabalhava nos palcos londrinos e que brevemente iria dirigir peças na Broadway e alguns clássicos de terror (Mais sobrê sua vida em “Gods and Monsters”, um bom filme).





Elsa não era bonita, num estilo convencional mas mesmo assim, jovem, ela era considerada “pretty”. Posou nua para muitos artistas, deu muitas aulas de dança para crianças, fundou um teatro infantil em Soho e têve a grande publicidade de ter um membro da família real deixar indignado uma apresentação sua, no “Midnight Follies”, enquanto cantava “Please Sell no more Drinks to my Father”. Como o mundo mudou... nao é verdade?

Em 1927 Lanchester começou uma relação profissional com um ator, que nos próximos anos e décadas transformaria-se num “monstro sagrado”: Charles Laughton. Eles casaram-se em 1929 e dois anos depois, chegando em casa encontrou-o no sofá da sala "divertindo-se" com um jovem rapaz, tomando assim pleno conhecimento da sua homossexualidade. Quando lhe indagaram o que fez na época, como reagiu, ela simplesmente respondeu: “Claro que eu vendi o sofá”. Êles permaneceram casados até a morte de Laughton em 1962.Eles tiveramcarreiras separadas apesar de terem muitas vezes trabalhado juntos como por exemplo no suntuoso “The private Life of Henry VIII” ( Korda, 1933) no qual uma novata chamada Merle Oberon interpretou Ann Boleyn e roubou o filme, “Rembrandt” (Korda, 1936, uma das raras apariçôes cinematográficas de Gertrude Lawrence), “Beachcomber” (1938 , foto abaixo) e “Testemunha de acusação” (Witness for prosecution, 1957, Billy Wilder), êle, inesquecível, como o advogado de defesa, ela como sua engraçadíssima enfermeira.




No início dos anos 30 Elsa ja tinha feito West-End, Broadway e Cinema na Inglaterra.Hollywood entraria brevemente em sua vida. Ela fez pouquíssimos filmes e muito decepcionada pensava num retôrno à Inglaterra. Então James Whale, seu velho amigo de Londres, já muito famoso no "Hollywood Firmament" (Thank you, Lina Lamont, peguei esta emprestada... )depois do seu “Frankenstein” (1931) e de “Invisible Man” (1933), ofereceu-lhe o papel principal de “The Bride of Frankenstein”, que se tornaria o filme pelo qual seria mais lembrada... Whale queria Elsa para dois papéis: Mary Shelley e a “Noiva”. Ela foi a atriz principal do filme mas não recebeu “Top-billing”

As filmagens foram uma tortura para Elsa e nada como uma “lua-de-mel” para esta “noiva”. Durante dez dias ela usou maquiagem pesadíssima, seu corpo completamente envolvido por “quilômetros” de bandagens, seu “penteado” sustentado por uma armação de ferro, seus olhos (reparem como estão “abertos” e separados) estavam lateralmente prêsos por fitas adesivas debaixo de sua peruca e acentuam seu olhar de “horror”. Tudo uma perfeita agonia e uma tortura para Elsa. Mas o resultado é fenomenal, nao acham? Encontrei a pouco tempo estas fotos que me tocaram muito: sente-se com qual cuidado e minúcia ela aplicava os últimos retoques ao seu personagem. Gosto muito destas fotos...








Achei fascinante descobrir que os gritos da “Noiva” foram baseados nos cisnes do Regent’s Park e que foram inicialmente gravados e depois colocados ao inverso, efeito este que os transformou em gritos muito mais fantasmagóricos. Elsa: “The most memorable thing I did on that film, I believe, was my screaming. In almost all my films since I’ve been called upon to scream. I don’t know if it is by chance but I would like to think that I am not hired for that talent alone”. “The Bride of Frankenstein”, considerado por alguns como o melhor filme de horror de tôdos os tempos, possui esta interpretação icônica de Elsa.

Muitas vêzes imitada mas NUNCA ridicularizada... Nem mesmo por Madeline Khan em “Young Frankenstein” (“O jovem Frankentein”, Mel Brooks)




Lanchester trabalhou constante- e excelentemente em vários excelentes filmes, sendo até nominada para um Oscar em 1949 por “Come to the Stable”. Entre seus filmes “Androcles and the Lion” (1952), “ Les Miserables” (1952), “The Razor’s Edge” (1946 e baseado no livro homonimo de Sumerset Maughan!!!!!! Uma maravilha esquecida... ), “David Copperfield” 1935), “ Naughty Marietta” (1935), “Tales of Manhattan” (1942), “The glass slipper” (MGM 1955 como a madrasta de Cinderella/Leslie Caron), no misterioso e de boníssimo gosto “Bell, book and candle” (1958, como a tia “bruxa” da também bruxa Kim Nowak, a irmã de Jack Lemmon e apaixonada de James Stewart),

no magnífico “Witness for prosecution” (1957) ao lado de seu marido Charles Laughton e Tyrone Power e Marlene Dietrich, “Mary Poppins” (1964) no minúsculo papel de Katie Nana


e no hilário “Murder by death” (1976, seu penúltimo filme) como uma “Miss Marple” ao lado de um grande cast de “detetives” que incluía David Niven (com quem tinha trabalhado em “The Bishop’s wife” de 1947), Maggie Smith, Nancy Walker, Estelle Winwood (a grande "coadjuante" e deliciosa atriz com quem também já tinha trabalhado em “The glass slipper” e que brevemente terá aqui uma postagem), Alec Guiness, Peter Falk, Peter Sellers, Eileen Brennan e vários outros...
Seu último filme, entre quase 70 títulos, foi “Die Laughing” (1980).

Elsa uma vez, quase no final de sua vida reflexionou sobre sua carreira:


“...longos papéis em filmes terríveis, curtos papéis em filmes maravilhosos... “


mas para mim sua melhor exclamação foi:


“ Para mim o estrelato só significa trabalho duro, aspirinas e purgantes... “


Elsa morreu de pneumonia em finais de 1986 com 84 anos.

sábado, 18 de outubro de 2008

Supporting Actors/Actresses II : Gladys Cooper

Continuando a minha série sobre atores/atrizes coadjuvantes, repito o que escrevi no meu relato sôbre Mary Boland (Vide a primeira postagem desta série, Supporting Actors/Actresses I: Mary Boland, de 1 de agosto de 2008): Penso já há muito tempo em fazer uma série de postagens em homenagem a vários “Supporting actors and actresses” – aqueles que já vimos centenas de vezes nas telas e de quen nao sabemos mais os nomes ou exatamente aonde os vimos... Vamos agora também pensar na palavra "support" e em companhia de quem esta particular atriz esteve: Bette Davis, Laurence Olivier, Joan Fontaine, Ginger Rogers, Vivien Leigh, Deborah Kerr, Audrey Hepburn, Judy Garland, Gene Kelly, Kay Kendall, Cary Grant, Rex Harrison, Jennifer Jones, David Niven, Burt Lancaster, Loretta Young, Wendy Hiller, Rita Hayworth, George Cukor, Vincente Minelli, Somerset Maughan ... e isto só para citar alguns... quase um "Who's who?" das "performing arts", nao é verdade?

Bem vinda a "Tertúlias", Gladys Cooper!!!!!


Filha de um famoso jornalista, Cooper (1888, Inglaterra - 1971, U.S.A.) começou sua carreira teatral em 1905 no teatro musical em peças como “Bluebell in Fairyland” e “The Belle of Myfair”, em 1907 virou uma corista no famôso Gaiety Theatre em Londres e durante a Primeira Guerra Mundial foi a “paixão” (em termos de II Guerra Mundial comparável à "pin up" Betty Grable) dos soldados inglêses. Trabalhou numa produção de “The importance of being Earnest” de Oscar Wilde, assim como, em 1919, em “Home and Beauty” de Somerset Maughan. Nesta foi criticadíssima por Aldous Huxley que a encontrou “estática, demasiadamente estatuesca, atuando todo o tempo como se fôsse Galatéa, recentemente desempetrificada e ainda não à vontade, nao acostumada à forma de viver dos sêres humanos”.

A partir de 1922 ela encontrou o estrelato no palco (já tendo também trabalhado no cinema mudo na Inglaterra desde 1913) na peça “The second Mrs. Tanqueray”. Entre seus grandes êxitos nos anos 20 a peça “The letter” (A carta, 1927) também de Somerset Maughan por quem foi extremamente elogiada e que a aclamou dizendo: “Gladys Cooper transformou-se de uma atriz indiferente numa atriz extremamente competente!”. “The Letter”, uma estória de traições, infidelidade e mentiras passada numa plantação fora de Singapura (na mais incrível tradição Maughanesca!!!!!! ) foi filmada em 1940 e trouxe muito prestígio e indicacao ao Oscar para Bette Davis).


Só a partir de 1940 Gladys Cooper entrou realmente em nossas vidas quando interpretou Beatrice Lacy a simpatissíssima irmã de Max DeWinter (Laurence Olivier) em "Rebecca" (Hitchcock, 1940 e no Brasil "Rebecca, a mulher inesquecível", título com o qual brincávamos dizendo "Rebível, a mulher inesquebeca"... lembram? ) que é um apoio para “ela” (Será que alguém aqui já tinha se dado conta que o nome do personagem principal feminino em “Rebecca”, no caso Joan Fontaine – vide minha postagem “Carta de uma mulher desconhecida, Stefan zweig” de 13 de agosto de 2008 – nunca tem seu nome mencionado???????? Nem no filme, nem no livro... ).


A partir deste momento Gladys nao parou de trabalhar nos papéis mais variados possíveis que eram óbvios para uma atriz de tamanha versatilidade. E para citar só alguns: a snob e finíssima mãe do “noivo” que não aceita a menina classe média/baixa Ginger Rogers para seu filho de Philadelphia em “Kitty Foyle” (RKO 1940),
A sexualmente desprezada, mal amada, amarga mulher de Nelson (mais uma vez Laurence Olivier) que o perde para “That Hamilton Woman” (MGM 1941), que nao é nada mais nada menos do que Emma Hamilton no corpo de uma deslumbrante Vivien Leigh no auge de sua beleza (e que num grande "tour de force" como Emma acaba bêbada, velha e feia na sarjeta e depois até presa... ) e, num grande desempenho, bem caracterizada, como a tirânica e possessiva Mrs. Vale, mãe velha da solteirona, complicada e doente mental “Charlotte”(Bette Davis em “Now, Voyager” - A viagem, Warner 1942). Gladys recebeu uma indicação ao Oscar. Perdeu.

Também não podemos esquecer de invejosa, angustiada freira que, torturada por seus própios demônios, nao podia aceitar que Deus tivesse elegido uma garôta pobre, burrinha, práticamente analfabeta como Bernadette para “presenciar o aparecimento de Maria" em “The Song of Bernadette” (A canção de Bernadette, MGM 1943) ao lado de Jennifer Jones. Esta coitada, que é digna de pena, é colocada cara-a-cara com a revelação da divindade do caráter de Bernadette, que já havia sido injustamente transformada em “Irmã Maria Bernarda” por uma insegura igreja que não sabia o que fazer com ela, e se arrepende... Nada pior na vida do que o remorso... Mais uma indicação ao Oscar para Gladys. Perdeu uma segunda vêz.


Versátil como sempre foi a boa Beatrice Hamimgtons que “une” Joseph Cotten à linda Jennifer Jones (as duas mais uma vez trabalhando juntas) em “Love Letters” de 1945 (foto abaixo), uma mulher de altíssima sociedade em “The bishop’s Wife” (1947 ao lado de Cary Grant, Loretta Young e David Niven), a tia de Judy Garland, a “Manuela” da Comédia-Musical “The Pirate” (O pirata, MGM 1948 também com Gene Kelly) de Vincente Minelli e a mãe preocupada de um rapaz que está apaixonado por Emma... a fútil, sonhadora Emma Bovary... sim, mais uma vêz ela com Jennifer Jones em “Madame Bovary” (MGM 1949) também de Vincente Minelli.


Seu complexo personagem em “Separate Tables” que desempenhou nao só na Broadway (primeira foto abaixo) mas também em Hollywood (segunda foto abaixo) em 1958 ( com "minha querida" Deborah Kerr, sua oprimida e recalcada filha... ), atuação sua muito aclamada ao lado também de Burt Lancaster, David Niven, Rita Hayworth, Wendy Hiller e outros...


...e como também “The bright one” na Broadway em 1959 ao lado da encantadora, mágica e inesquecível Kay Kendall, na época casada com Rex Harrison e no auge de sua curta carreira, que logo depois sucumbiria à uma terrível leucemia...


... e, para finalizar esta lista (que é realmente curta em relação aos trinta e poucos filmes que fez) a encantadora, jovial, descomplicada mas também finíssima, aguda e retóricamente precisa Mrs. Higgins, mãe do professor e grande suporte à Eliza no grandioso “My fair Lady” (Minha bela Dama, Warner 1964, dirigido pelo grande George Cukor). Mrs. Higgins trouxe-lhe uma terceira indicação ao Oscar e também uma terceira perda. Aqui Cooper ao lado de Audrey Hepburn e de Wilfrid Hyde-White...



Seu ínico premio foi um Golden Globe em 1965 pela séria “The Rogues” com David Niven, Charles Boyer, Gig Young e Larry Hagman.

Até o final de sua vida Gladys Cooper continuou entre o West-End, a Broadway e Hollywood.
Ela foi casada três vezes, teve duas filhas (no primeiro e segundo casamento) e não existem quase relatos sôbre sua vida como pessoa privada. Melhor assim.
Ela morreu em 1971 aos 82 anos de idade.
Deixou uma grande heranca para todos nós: Muitos momentos brilhantes nas telas do cinema com muito talento e técnica usados precisamente para nos dar esta grande satisfação em vê-la... assistí-la....
Por todo este legado, por todos estes momentos: Obrigado GRANDE Gladys!!!!