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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O começo do (meu) Ano-Novo em Viena...

Nada para mim tem um sabor tão „decisivo“ como um ano que começa… nele coloco minhas esperanças, desejos, vontades, fantasias, fé… faço „limpeza na casa“ (falando do plano emocional), tento reavaliar os bons e maus momentos do Ano que passou, como que fazendo o “balanço do estoque das prateleiras da minha alma"… checando qual mercadoria ainda está "boa" para levar para o próximo ano... então tomo decisões sobre tudo que intenciono fazer no próximo ano: seja mais exercício, comer mais frutas, andar mais de bicicleta ou ser mais atencioso com certas coisas, ter mais paciencia (tarefa a´rdua para mim... ), tomar mais vitaminas… inclusive prometo (mais uma vez) que a partir “deste” ano vou ser mais organizado com minhas papeladas (ihhh….. ) e por aí vai a lista…


Não sou um grande “fã” do Reveillón… Não gosto de sair de casa nesta Noite e “fico triste” quando tenho que aceitar um convite (um “daqueles” que a gente não tem como “recusar”).

Adoro “Festa” mas não com aquela coisa de fogos, música alta, muita bebida, alegria “forçada” à meia-Noite (esta alegria “forçada” é o pior dos elementos desta Noite! Já passei por cada uma… Certa vez, o Reveillón estava chatíssimo, todas as pessoas estavam fatigadas esperando a meia-noite… e então, como que guiados por um força sobrenatural, 10 minutos antes da passagem do Ano transformaram-se num robozinhos: rindo as gargalhadas, saltitando, cantando, acendendo fogos, gritando… Eu fiquei “pasmo”! Como se diz no Brasil - ou se dizia? - "Esta não é a minha praia!").

Eu prefiro ficar em casa e desfutar tranquilamente, em paz ao lado de pessoas queridas a passagem do ano...


Este ano estou tranquilo… ficaremos em casa, comeremos bem mas frugalmente (chega de comer depois do longo período de Natal!) e, provávelmente, logo depois de Meia-Noite nos recolheremos… O motivo é pura- e simplesmente o Concerto de Ano-Novo da Filarmonica de Viena no “Musikverein” na manhã do dia primeiro ♪ ♫ ♪

Ninguém me tira de casa há muitos anos no dia primeiro de janeiro. Amo este concerto!

Enquanto tomamos um café-da-manhã gostoso com panquequinhas, geléias, ovos etc. (mais comida!) assistimos a primeira parte do Concerto… com o passar das horas vou trazendo aos poucos tudo o que amo comer no primeiro dia do Ano (viram? Ainda mais comida… Ave!) e faço um brunch “pic-nic” delicioso: Salmão, pastinhas, caviar, suco de tomate com aipo, arenques, camarões…


e Champagne… Este Ano temos uma boas garrafas de Moët & Chandon que estão esperando para serem abertas no dia 31 e no dia primeiro…

O Concerto da Filarmonica, como já contei algumas vezes aqui, é um “Must” para se começar o Ano bem…♫ ♪ ♫

Um “Must” para quem entende a fundo (ou quer entender) a alma austríaca/ vienense…
Tenho no meu círculo de amigos realmente pouquíssimos que não o assistem!
É quase uma "heresia" deixar de assistir um espetáculo tão lindo assim...


Uma tradição espetacular que é televisionada para 73 países e tem mais de 45 milhões de pessoas de audiencia… Infelizmente a grande “Grobis” cancelou seu contrato há muito (Me lembro de, ainda criança, te-lo assistido muitas vezes): Quem acompanha as “Tertúlias” há tempo deve estar pensando: “Já li isso antes”.
É verdade.
Mas quem sabe… Não se dizia “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”? Pois é… Eu acredito que se fosse televisionado também no Brasil teria muito público...

Este Ano o magnífico Maestro é o russo Mariss Janson, que muito admiro… e pela primeira vez na história deste tradicional evento em Viena ouviremos duas peças de Tchaikowsky

O Ballet da Ópera (Wiener Staatsballet) está sempre belamente representado e, além de outras peças, dança todo Ano „An der schönen blauen Donau“ (O Danúbio azul) de Johann Strauss.


No mais são sempre apresentados Ballets com composições típicamente austríacas em locações ainda mais típicamente austríacas – como o Schloss Laudon (que, incrívelmente, ainda é uma propriedade privada!) em 2011.


Não esquecam que o fato de ser televisionadao em tantos países faz do Concerto de Ano-Novo um evento importantíssimo em termos de marketing para o turismo na Austria).

Este Ano (enquanto escrevo esta „Tertúlia“ ainda estamos em 2011) tivemos um número musicalmente interessante (O ballet em si é sempre aquela coisa bem “Opereta”, bem “brilhante”, bem vienense, bem tradicional… Nada de extremamente especial): “Mein Lebenslauf ist Lieb und Lust” (O meu viver é amor e alegria/prazer) Valsa Op. 263 de Josef Strauss (Sim, Josef… Johann – o „rei“ da Valsa era seu irmão).


Nele aparece como solista um dos meus bailarinos prediletos da Ópera (mais sobre ele numa próxima „Tertúlia“), o moldavo Mihail Sosnovschi (ou Mischa Sosnovski, como ele mesmo se chama no Facebook).

Um grande talento, uma grande energia que enriquece nossos palcos!

Voces logo o reconhecerão como o solista que está lendo, estudando um livro… com uma longa, solta camisa branca! Um lindo bailarino - que aqui é mais um "support" à bailarina com quem baila do que um solista... mas ele "pode" muito mais do que isso (apesar de eu ter que dizer que ser um bom "partner" é uma tarefa extremamente difícil... e ele é excelente!).

Mais sobre Mischa, como já escrevi, numa futura "Tertúlia"!


Desfrutem tranquilamente destes momentos… e, queridos, do fundo do coração:

UM FELIZ ANO NOVO PARA TODOS! QUE TODOS NOSSOS SONHOS SE REALIZEM!!!!!


quinta-feira, 23 de junho de 2011

REMEMBERING: Leontyne Price

Viena, 18.6.2011

Ontem acordei com o que chamo de “My Leontyne Price-Mood”. Entre meus vários CDs busquei um (capa abaixo) com «A» gravação de «Chi il bel Sogno de Doretta» de «La Rondine» (Puccini). Uma de suas interpretações que mais prezo, mais admiro… E fiquei pensando, refletindo sobre a carreira desta excepcional artista…


Que longo caminho percorreu esta menina de Laurel, Mississipi…


Filha de uma parteira e de um marcineiro que a encheram de amor (esperaram 13 anos pela “chegada” dessa criança em 1927), já na tenra infancia Leontyne demonstrou seu talento em relação à música. Com tres anos de idade seus pais lhe deram um piano de brinquedo – para logo colocá-la em aulas sérias com uma professora local. O “gramofone”da família foi vendido para interar o “sinal” de um piano verdadeiro para a menina Leontyne. A patroa de uma tia sua (que era lavadeira), Mrs. Chisholm, figura de influencia local, incentivou não só seus estudos de piano como também sua extraordinária voz.
O resto é história.

Com a ajuda financeira dos Chisholm e do baixo Paul Robeson (que deu um concerto beneficente para ela) ela pode aceitar uma bolsa de estudos na Julliard – pois seu “alvo” era tornar-se uma professora…
Uma revival de “Porgy and Bess” de Gershwin em 1953 mudaria sua vida. Neste mesmo ano o “Met” convidou-a para cantar com o Ensemble no Ritz Theater da Broadway para uma Gala de fins caritativos. Ela foi então a primeira afro-americana a cantar “com” o Met (apesar de não ter sido a primeira a cantar “no” Met).

Mais anos de muito estudo, definição de repertório, aprendizado em recitais, tournées pelos U.S.A., India e Australia seguiram… Até que em setembro de 1957 ela debutou no palco da Ópera (“Dialogues de Carmélites” de Poulenc). Antes ela já tinha sido convidada por Herbert von Karajan para debutar no Scala (sob sua regencia) em “Salomé”, ela porém declinou. Não sei realmente porque…

Em 1958 mais uma vez von Karajan convidou-a para «Aida» na Staatsoper em Viena – palco que seria muito importante para todo o resto de sua carreira, palco no qual foi declarada “Prima Donna assoluta”. Leontyne Price virou a cabeça do público vienense, revolucionou o mundo da Ópera aqui e tornou-se o ídolo dos estudantes que a carregavam desde a entrada dos artistas da Staatsoper até o Hotel Sacher, onde se hospedava.


No ano seguinte ela retornaria à Viena não só para repetir seu sucesso como “Aida” mas também para debutar como Pamina em “A flauta mágica” de Mozart. Sua pura voz e um “entendimento” mais do que simplesmente “gramático” do idioma alemão deram-lhe a facilidade de entender a delicadeza e projetar a leveza de um Mozart, assim como anos mais tarde abririam-lhe as portas para a complexidade das perfeitas, poéticas frases musicais de um Richard Strauss

Depois de Viena seguiram-se “debuts” no Covent Garden, Arena di Verona e no “La Scala”.

Rudolf Bing, o temido diretor do Met, convidou-a para uma única performance de “Aida” no Met em 1958. Ela não aceitou, como lhe foi recomendado pelo seu “manager”: “Leontyne Price está destinada a ser uma grande artista. Quando ela debutar no Met, será como uma grande Dama, não como uma escrava”, disse ele.


Um ano mais tarde Bing a ouviu uma vez mais em Verona em “Il Trovatore” e a convidou para o Met – desta vez para vários papéis. Ela aceitou.
Ela debutou junto a Corelli em “Trovatore” (num, por ssim dizer “debut duplo”) e o público a ovacionou por 42 minutos! Um “record” até hoje na história dessa casa.


Entre os vários papéis que lhe foram oferecidos figurava também Cio-Cio-San de “Butterfly” que ao contrário da “lenda” foi interpretada SEM maquiagem branca .


Sua última “Ópera” foi “Aida” em 3 de janeiro de 1985. Uma carreira de 32 anos que ainda continuou em concertos e recitais em Hamburgo, Viena, Paris, Lucerna e no Festival de Salzburgo por mais 12 anos. Seu poder vocal foi fenomenal. Ela sempre alcançou os “High Cs” com muita facilidade – ela mesmo disse que, debaixo do chuveiro, alcançava regularmente também um “High F”. Fenomenal.

Inspiração de grandes artistas como Kiri Te Kanawa, admirada por «colegas de profissão» como Pavarotti (“Só poucas cantoras conseguem encher um “Hall” para um concerto ou um recital: Joan Sutherland, Leontyne Price e Marilyn Horne”), Placido Domingo (“O mais lindo Soprano de Verdi que até hoje ouvi”) e até Callas (“Eu ouço muito amor em sua voz”).


Leontyne recebeu muitas homenagens em sua bela carreira – a última em 2008 “Honoree at National Endowment for the Arts Opera Honors”.
Ela vive em Greenwich Village.

Gostaria de deixar aqui dois momentos, bem diferentes, de sua fase concertante. A ária de «La Rondine» ao qual me referi quando comecei a escrever esta postagem… o que ouvi ontem…
Que momento supremo!!!!



…e, já celebrando o (nosso) verão que entrará dia 21... “Summertime” de Gershwin. "Carro-chefe" que ela nunca esqueceu apesar de que técnicamente não se compara ao canto lírico que a tornou famosa em todo o mundo. Eu adoro...
Eterna Leontyne Price!!!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mesas, Obras-de-Arte, Amigos queridos, Memórias e Rituais...

Adoro mesas... sim, elas nos reúnem ao redor da comida, nos levam para mundos distantes através de sabores exóticos ou caseiros, em longas conversas. São o lugar de maior comunicação e até de eloquencia numa casa… Aqui ainda nos reunimos muito para comer juntos. Sós ou com convidados. O “modernismo” dos jantares micro-ondas e de cada um comendo no seu “comodo” ou em frente a um computador ou à uma televisão ainda não se apoderou de nós… Lutamos com bravura contra certas "inovações" da sociedade atual... Estamos virando dinossauros mas como os amigos gostam...



As minhas mesas são na maioria das vezes muito simples, clássicas… “Brinco” um pouco mais com cores na época do Natal!



Detalhe, voces devem estar a se peguntar: por que laranjas à mesa? Meu pai, Fritz Leitner, me contava que durante sua infancia na Austria ele todo Natal recebia “laranjas da Espanha” – e o par obrigatório de skis – na época ainda de madeira… Colocar laranjas à mesa no dia de Natal é trazer de forma papai, a memória de um homem brilhante para perto da gente… Tudo tem uma história...



Adoro mesas bem postas… Elas revelam o carinho com que tratamos nossos convidados e nós mesmos. Transformam e apoiam essa comunicação acima mencionada ainda transformando-as mais num ritual. Como comer sempre deveria ser!
A “sensualidade” do “comer bem” que é tantas vezes esquecida.

Mesas de festa em dias especiais são importantes para mim…



Tenho uma grande fascinação por mesas brancas… como há pouco tempo aqui em casa decorei uma para um jantar com amigos. Adoro ver a comida em pratos ou brancos ou transparentes (Alguém já comeu creme de espinafre sobre um prato azul claro? Eu já… e não recomendo!)



A simplicidade deve se extender pelo “roteiro gastronomico” que oferemos – Não sou muito fã de muitas misturas… Principalmente desdes minhas viagens pela Asia nos anos 80 e 90... Jamais esquecerei o que um médico nutricionista em Singapore me disse... Muito me impressionou a forma dele descrever nossa alimentação "ocidental"... Desde então cozinho muito mais e amo apaixonadamente os melhores ingredientes, especiarias, cheiros e texturas, os selecionando com conhecimento, instinto, carinho e preocupação mas jamais exagerando em suas misturas… A simplicidade é saudável. Emocional-, gastronomica- e visualmente!

Adoro porém a "fartura emocional" de como nos são comunicadas as mesas do pintor suéco Carl Larsson como publicadas em seus livros de aquarela. O mais belo trabalho jamais feito sobre uma família, sua família… Vale realmente a pena ver, comprar seus livros! Retratam de forma sublime o dia-a-dia de sua família, as festas (como a de Santa Luzia no dia mais longo do verão, 21 de junho), as crianças crescendo, sua esposa cozinhando, sendo mãe, envelhecendo… um trabalho de altíssima sensibilidade e qualidade!

…e aquela "generosa fartura visual" tão típica dos dias de festa… Como me baseio nelas, nas mesas de Larsson, da Suécia as vezes...






Uma gostosa memória: uma das mesas mais lindas que vi foi na casa dos amigos Suely e Ricardo Stambowsky em setembro de 2008. Perfeita. Simplicidade, Finesse e boníssimo gosto em abundancia (pratos lindíssimos por sinal! Amo!).



Um jantar perfeito no qual eles reuniram alguns de seus mais queridos amigos ao meu redor. Um encontro tão agradável que durante ele fiz novos amigos com quem tenho o prazer de estar em contato até hoje!



Um momento muito querido e extremamente agradável. Eles são grandes anfitriões! Um dia vou copiar para eles umas „notas“ que li sobre Vivien Leigh e como preparava suas “Dinner-parties”. Semelhanças incríveis entre os livrinhos de anotações de Vivien e Suely...



Elegancia perfeita – da comida à mesa, da decoração aos convidados:

Menos é sempre mais!

Mas como dizia o anúncio com Audrey Hepburn para Longines? Elegance is an attitude! (e eu adiciono: que não pode-se nem aprender nem comprar...)




Fotos publicadas com autorização de Ricardo Stambowsky (que repondeu ao meu pedido com uma generosa e expontanea exclamação, tão típica dele: "Com prazer! Use e abuse!". Como eu disse: Elegance is an attitude. MESMO!)

Nota (Dezembro 2011): o resto desta "Tertúlia" foi deninitivamente excluído pelo fato do autor não mais se identificar com o conteúdo e não mais ter contato com as pessoas nela citadas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Nús artísticos (ou "incoerências e contradições no mundo do Ballet")

Vienna’s State Opera (Staatsoper), Premiére dia 9/1 passado, de dois trabalhos do maravilhoso e incrível Jirí Kylian. Do GENIO Kylian. Principalmente “Bella Figura” foi notada pelos nús em cena (coisa nada comum aqui na Ópera) e por alguns lindos físicos como o de Vladimir Shishov, um maravilhoso bailarino (foto)!!!



Mas, para citar Nelson Rodrigues, "toda Nudez será castigada?" Porque?



Esta Premiére, aconteceu na mesma Ópera que, a pedidos do diretor do ballet, o frances Manuel Legris, despediu há alguns meses, sem aviso prévio, Karina Sarkissova (russa de nascimento e nesta foto com Mihail Sosnovschi, outro fantástico bailarino, em "La petite Mort" também de Kylian)



por ter posado nua para uma revista austríaca…



E isto vindo exatamente de Monsieur Legris que já em algumas vezes na vida foi modelo de nús artísticos…



e de alguns bem menos artísticos…



Quanta incoerência... „Faça com outros o que voce jamais faria para voce" ???? É esse o novo "ditado" do nosso mundo?

Aqui um curto trecho de "Bella Figura" com o Nederlands Dans Theater, "casa" por muitos anos de Kylian!
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sábado, 1 de janeiro de 2011

O concerto da Filarmonica de Viena e as Taças da minha avó... Hoje...

Acordar mais cedo no dia primeiro de janeiro faz parte do meu programa anual… toda uma manhã extremamente excitante espera por mim! Começamos com um petit-dejeuner com panquequinhas com geléia de apricot e coisinhas mais “fortes” – acabamos às 15:00 hs com patês, arenques, caviar, cocktails de camarão e champagne…



Começar o Ano, mesmo que em casa, em Viena consiste em algo de emocionante – bem, pelo menos para os amantes da música como eu, como nós aqui em casa… Viena apresenta-se neste dia do seu melhor lado, do lado mais conhecido em todo o mundo: mais uma vez uma celebração à música! Nosso Concerto de Ano-Novo com a Filarmonica de Viena é para mim um “must”. Este ano sob a regência do queridíssimo maestro austríaco Franz Welser-Möst (ele é de Ober-Österreich como minha família austríaca),



ouvimos um programa maravilhoso, durante o qual “pirei” literalmente: pela primeira vez ouvi partes de “Cachucha”, composição que transformou a bailarina austríaca Fanny Elssler num grande sucesso nos 1860s. Sim, ela literalmente sacudiu Viena (e escandalosamente, por sinal, o que acho ótimo!).

700 milhões de expectadores no mundo inteiro prestigiam este evento que ainda é o evento “live” de maior público na televisão mundial… desconhecido no Brasil. A "minha querida e apreciada” Globo (como Flavinha e eu diríamos… a “Grobis”) cancelou o contrato com o “Musikverein” ainda nos anos 60… e isso quando ainda se falava de cultura para o povo no Brasil… Bem, hoje em dia... 51 países assistem esse evento ao vivo.



Note-se que este ano o Ballet foi lindíssimo: começa-se a notar a influencia de Manuel Legris, novo diretor do Ballet aqui, e uma certa nota “empoeirada” como da Ópera de Paris… “empoeirada” é uma coisa OK… nada depreciativo pois como tem tudo que ver com Paris, tem também com Viena. Amei! Principalmente que “O Danúbio Azul” este ano foi bailado pelos “eleves” da escola de Ballet da Ópera! Nada de "espetaular" porém muito, muito sentido...



Este ano acordei realmente bem mais cedo e depois de lavar uma taças de champagne que usamos ontem à noite com amigos queridos no Reveillon dei-me conta de uma coisa: Essas taças são da minha avó por lado materno, do casamento dela… de 1915… e embarquei numa “viagem”: Imaginem só de quantas felicidades e festividades essas taças francesas são testemunhas… em quantos casamentos, bodas-de-prata e de ouro, festas, Reveillons, batizados, aniversários elas estiveram presentes… e isso numa família como a nossa, que sempre gostou de celebrar… Se estas taças pudessem falar, quantas coisas boas contariam… de risadas, sorrisos, amores, beijos, lágrimas, emoções… hoje me concientizei de quanta energia boa elas trazem com si… elas que só saíram dos armários para dias de festa... e aí tomamos mais uma taça de champagne, de manhã, assistindo o concerto (que começa aliás às 11:15hs!). As poucas que restam (10) e que foram todas usadas ontem à noite adicionaram Viena às suas memórias! Quantas estórias mais poderiam contar...






Aqui o final do concerto de hoje (que já está no youtube, incrível!), a Radetzky-March durante a qual o público pode bater palmas – pelo que me consta a única excessão à uma coisa que é completamente proibida no mundo da música…

Bem… enjoy… acabei de ver ao vivo há 3 horas atrás!!!!!!!!

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quinta-feira, 1 de julho de 2010

MAYERLING, o Ballet (Kenneth MacMillan)

"Prólogo":
Dia 18 de junho passado fui apanhado no escritório por uma senhora muito elegante para irmos à Opera de Viena. Esta senhora, que chegou puntualmente ao meu trabalho para apanhar-me, encantou-me com sua discreta elegancia em negro, suas pérolas e seu leve perfume. Apanhamos um taxi e fomos tomar um café e um copo de vinho antes do espetáculo no Café do “Hotel Sacher”, para mim um “must” antes de qualquer acontecimento na Opera. Conversando animadamente fomos depois caminhando para os nossos lugares na “Wiener Staatsoper” (o Hotel Sacher está só alguns passos de distancia). Para quem não sabe: esta senhora é minha mãe! E como orgulhoso estava este filho em companhia de tão bela Dama. Não é todo mundo que tem esta “sorte” na vida, não é?

Tertúlia:
Estávamos muito animados para assistir o Ballet de Sir Kenneth Macmillan “Mayerling” (1978).
Não conhecíamos este trabalho – que tem como tema um dos episódios mais misteriosos e feios da história da Austria. O “suposto” suicídio do arquiduque Rudolph Habsburg-Lothringen (filho do imperador Franz Joseph e da neurótica “princesinha alemã” Elisabeth, conhecida como “Sisi” – mais uma estória de Marketing!) e sua amante, a jovem baronesa Vetsera.

Não esperávamos tamanha decepção.

Sou um grande fã do trabalho de MacMillan. Infelizmente “Mayerling” não pertence para mim de nenhuma forma ao que chamo de “linguagem da dança”. Um Ballet “lotado” de personagens principais e fatos históricos que passam até por nós (conhecedores do “plot” pois conhecemos bem a historia da Austria) de forma tão completamente desapercebida, que, nas duas “pausas”, tem que ser lidos no programa.

É totalmente impossível para qualquer pessoa que não conheça profundamente os fatos deste complexo, político momento da história da Austria, compreender este Ballet.

Eu me pergunto se os próprios bailarinos o compreendem, já que, infelizmente, só conheço pouquíssimos (e estes “pouquíssimos” são amigos queridos, aliás, também frequentadores das “Tertúlias”… ) com outros interesses além do Ballet – o que implica, quando penso nestes jovens bailarinos de hoje em dia, num nível cultural muito baixo.
A vida não consiste só de “Grand-Jetés” e “Entrechats”.
Usando um termo “agrário” mas bastante adequado à cena atual da dança: Que Monocultura…

Sei que não se deve generalizar e estou ciente que este comentário pode ser «mal recebido» pela geração mais nova - mesmo assim arrisco-me a faze-lo pois de certa forma poderia gerar alguma coisa positiva: Ora, se esta geração que está técnicamente tão boa, se desenvolvesse um pouco mais também intelectualmente...
Lembro-me do mestre Zdenek Hampl (vide a tertúlia de 30.05.2009) dizendo-me: “para poder dançar bem um bailarino tem também que entender o que é uma raiz quadrada… “


De volta ao trabalho de Macmillan, tenho que me referir a um típico caso de falha de “leitura”.
Pensem em outros Ballets ou diferentes formas de expressão artística e escolham uma.
Em bons trabalhos – sejam estes Óperas, Ballets, Sinfonias, Concertos, Pinturas, Esculturas – não é necessário “ler-se” a explicação do que se está vendo («ler» significa ser uma outra arte : literatura) pois a própria «língua” da específica forma de arte que o expectador está vivenciando, “conta” o que é para ser contado/sentido. Conta o que o autor quis comunicar/expressar.
Pensem no complexo e magnífico “Die Kameliendame” de John Neumeyer (Vide minha tertúlia de 15.02.2010) – mesmo que alguém não saiba quem são Manon Lescaut e Des-Grieux, compreenderá/sentirá o Ballet.
A linguagem da dança, neste caso, conta-nos o que tem que ser contado.
O mesmo não acontece em “Mayerling” pois sem “auxílio” de leitura seria impossível compreende-lo…

Em "Mayerling", tive a completa sensação de “tradução”. Sim, um trabalho que só tentou TRADUZIR o que foi escrito num livro, contado num filme (houveram vários), numa outra língua, numa outra forma de arte para “Ballet” e que, exatamente por este motivo, falha completamente.

Coreográficamente o Ballet não oferece “altos e baixos” e é de uma regularidade medonhamente cansativa, “boring”.
Regularidade “insossa” que muito me fez lembrar a cozinha inglesa – não existe nem sal nem pimenta neste trabalho.
Ele é “linear”.
Sem altos nem baixos.
Sem nenhum ápice.
Deu-me na realidade um grande sono...

Nada típico de MacMillan que tem trabalhos eternos, maravilhosos...

Vão dizer-me que a cena do suicídio é o ápice.
Pode ser.
Mas ela não é dançada.
É uma cena de teatro.
E esta não é a língua do Ballet.

Tudo isto e certas “liberdades” tomadas em relação à história (como, por exemplo, colocar o ingles George William Middleton como amante da imperatriz Elisabeth… fato não provado históricamente, que coloca muito em questão a “seriedade” de um trabalho que quer ser históricamente tão “exato”) fazem de «Mayerling» uma obra muito questionável…

e muitíssimo chata...

C'est tout!

sábado, 24 de abril de 2010

Viúvas (menos e mais) alegres: revisitando uma Opereta.

Minha relação com „A viúva alegre“ (Die lustige Witwe) é muito especial, até sentimental…
Nos anos 80, quando dancei no Theater an der Wien, lembro-me muito bem de uma maravilhosa “Hannah” (a viúva): Mirjana Irosch, um soprano austríaco de origem jugoslava.
“Frau” Irosch estava perfeitamente no seu elemento nesta opereta e, por assim dizer, no ápice de sua carreira. Naquela curta fase em que uma artista “desabrocha” por completo, no momento em que a beleza chega à sua fase mais resplandecente (Ela foi uma mulher de singular beleza e charme) e que a voz e a técnica alcançam uma maturidade antes não ouvida… Um belo momento. Curto porém muito belo! Eu estava lá. Presenciando todas as noites este milagre que acontece no palco chamado magia.

Lembro-me de ficar parado na coxia, noite após noite, ouvindo-a cantar “Vilja” reticente, como que envolvida num sonho, como num pensamento, como no espaço entre duas virgulas. Eu sentia-me completamente fascinado com aquela voz, com aquela presença cenica… eu me “recolhia” no escuro da coxia e gozava aquele instante. Seis vezes por semana… Ficava exatamente como no texto de uma musiquinha antiguinha de Rita Lee: “No escurinho do cinema, chupando drops de anil, longe de qualquer problema. Perto de um final feliz…” (Desculpem-me esta mistura tao eclética entre Franz Lehár e Rita Lee… mas não resisti!).

É exatamente esta qualidade que hoje em dia falta em “Witwe”. Novas produções aparecem contínuamente mas, apesar desta viúva ter passado a ser residente dos palcos “de Ópera”, o que ela realmente necessita são menores “salas”. A produção de 2000 no Metropolitan foi um fracasso. O tamanho do palco “comeu” a Opereta. Esta Viúva foi e é ainda uma criatura para palcos mais populares, na essencia da tradição da Opereta (A “mãe” dos Musicais)

Composta pelo austríaco Franz Lehár ,“Witwe” (A Viúva) estreiou em 1905 no “meu” Theater an der Wien aqui em Viena (Cliquem no arquivo aqui à direita e vejam minhas postagens de 09.04.2010 e de 28.08.2009 – que sorte tive de aparecer na “Viúva” no teatro onde estreiou mundialmente! ) e sua primeira “Hannah” foi um soprano chamado Mizzi Günther! Logo a obra foi traduzida para o ingles e estreiou em Londres com Lily Elsie (adoro este nome!).
De lá foi só um “pulo” para a Broadway. E em pouco tempo “A viúva” se alastrou pelo mundo (conta-se que em Buenos Aires em 1907 cinco produções em 5 diferentes idiomas estiveram em cartaz ao mesmo tempo!). Foram feitas certas adaptações (inclusive em Londres foram adicionadas duas novas músicas) mas a versão original ainda é a da língua alemã!

“Witwe” não tinha uma Ouverture. Lehár a compos 35 anos depois da estréia para a Filarmonica de Viena tocar no seu próprio aniversário de 70 anos em 1940!

As tres versões cinematográficas (todas da Metro) foram só muito longínquamente baseadas no original…
A primeira de 1925 (Imaginem um Opereta como filme mudo !) foi dirigida pelo genial, intelectual, complicado, temperamental e neurótico (austríaco) Erich von Stroheim (lembram do Chauffeur de Norma Desmond em “Sunset Boulevard”? Voilá !).

Ele transformou « Hannah » (que tinha um passado pobre, de camponesa) numa « bailarina » chamada Sally O’Hara ( !?!) e ex-prostituta (muito para o desgosto do produtor, o menino prodígio da Metro, Irving Thalberg e para a ex-atriz da Broadway, Mae Murray, aqui no seu único trabalho cinematográfico que foi relacionado à palavra “Arte”). As cenas de orgia são até hoje bastante fortes visualmente. Diz-se que Franz Lehár « was not amused ».
Mesmo assim o público adorou a “Valsa” e esta foi a única razão deste filme ter tido uma boa bilheteria… A orquestra tocando alguns pedaços da partitura original! O filme consolidou porém a fama de John Gilbert – que interpretava “Danilo” – como símbolo sexual!
A segunda versão, só alguns anos mais tarde (1934) com Jeanette MacDonald e Maurice Chevalier também tem pouco que ver com a estória original e (apesar de todo meu respeito por Miss MacDonald) é na realidade chatérrima (interessante notar-se que o personagem pivot de « Valencienne » simplesmente sumiu nas tres versões !), possui porém um “Grandeur” e uma fotografia de dar inveja a jovens cineastas. Sim, o “segredo” do preto-e-branco e de inventivos truqes que foram completamente perdidos depois dos anos 40… Aqui Jeanette numa foto que considero simplesmente linda! Uma de suas melhores! A direção desta vez foi mais “clássica”: Ernst Lubitsch.
A terceira (MGM, 1952) é a pior das tres. Lana Turner (um “desafeto” cinematográfico meu) não cantava, seus (reduzidos) números foram dublados…

Esta produção só teve dois pontos positivos: Fernando Lamas provou que podia cantar (e muito bem por sinal) e na cena de Can-Can no “Maxim’s” (no original existe uma réplica do Maxim’s na casa de Hannah) o grupo de bailarinas é liderado por ninguém mais nem menos do que a fabulosa Gwen Verdon (Vide minha postagem de 23.04.2009) dançando loucamente! Quanta energia! Uma maravilha!

E falando-se em dança, devemos comentar que vários Ballets foram feitos sobre “A viúva alegre” e, senão me engano, o primeiro foi coreografado para Alicia Markova e chamou-se “Vilia”.

Lembro-me de Fonteyn dançando “The merry Widow”, que foi coreografado em 1975 por Robert Hellpman para o Australian Ballet, mas nunca ouvi nem detalhes nem críticas sobre ele!
Até Maurice Bejárt fez uma versão em 1963 que desapareceu e a linda Patricia MacBride e Peter Martins dançaram numa esquecida versão feita para a televisão em 1982.

Em 1980 falou-se muito de um projeto, precisamente de um filme, sobre “A Viúva” com Julie Andrews e Placido Domingo. Que pena este projeto nunca ter-se concretizado!

Elizabeth Schwarzkopf , uma das mais lindas "pequenas vozes" do século passado, nunca deu vida à „Hannah“ nos palcos. Gravou porém uma maravilhosa “Witwe” que é até hoje vendida. Aqui uma interpretação concertante de « Vilja », minha parte favorita… Recostem-se, coloquem os pés para cima e deixem-se levar… com Schwarzkopf, com a melodia… Lehár at his very best!
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Danielle querida, para voce! Sua sugestão desenvolveu-se e virou esta postagem! Obrigado!