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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

The Forgotten III : Carol Haney

As vezes criar uma postagem transforma-se num trabalho quase artesanal... mas quanto prazer "trazer de volta" personalidades como Carol Haney... com tanta vida e talento...

Haney nasceu em finais de 1924. Aos 15 anos abriu sua própria escola de dança mas quando acabou a High School dirigiu-se a Hollywood.
Foi « descoberta » pelo legendário coreógrafo Jack Cole (“Gentlemen prefer Blondes” só para citar um filme), de quem tornou-se assistente e com quem trabalhou de 1946 a 1948, sendo depois substituída por outra “lenda” no mundo da dança, Gwen Verdon, - outra “esquecida” a quem um dia dedicarei uma postagem (Gwen foi quem ensinou à Marilyn Monroe a movimentar-se, a sorrir, a ser como Marilyn, durante “Os homens preferem as louras”, principalmente no número “Diamonds are a girl’s best friend”).
Carol tornou-se então a assistente de Gene Kelly, com bastante mais prestígio e melhor salário na Metro… Ela trabalhou com ele constantemente em alguns de seus melhores filmes, divididndo a criatividade deste incrível homem: “On The Town” (1949), “Summer Stock” (1950), “An American in Paris” (1951), “Singin’ in the Rain” (1952” e no seu “sonho”, o projeto “Invitation to dance” (1954). Todos da MGM.

Só isto já seria motivo suficiente para um grande currículo mas Carol continuava também a dançar na Metro ,como fez na cena de “sonho” de “On the Town”, como a menina de verde,


no coro “Summer Stock”, filme com Gene e Judy Garland e também na Warner no musical de Doris Day e Gene Nelson “Tea for Two” (1951) aonde nao só dançou em todos os “production numbers”
como também neste Charleston, abusando realmente do direito de roubar uma cena… Incrível. Vale a pena rever este chato Remake de “No, no, Nanette” só por esta cena!

Apesar do filme só ter estreiado em 1954 “Invitation do Dance” foi filmado muito antes. Na realidade antes de “An American in Paris”. Aqui Carol, na frente de um fundo azul, dando vida ao personagem da princesa, que depois, no filme acabado seria uma figura de animação. Que lindo trabalho dela e Gene… o filme fracassou na bilheteria.


Em 1953 lhe foi oferecida uma cena em “Kiss me Kate” (coreografia de Hermes Pan, o único coreógrafo com dois "Deuses" no nome...) que mudaria sua vida. Ela encontrou Bob Fosse, que estava fazendo para este filme seu “Debut” coreográfico em “From This Moment on”. Carol e Bob literalmente roubaram o filme e aquele estilo tão especial de Fosse nasceu. Acho que depois desta cena ninguém mais lembrou-se de Ann Miller, Bobby Van e Tommy Rall. Fosse na época já estava casado com Gwen Verdon. Aqui algumas fotos desta incrível cena em ordem cronológica.









Daí foi um pulo para a Broadway, por insistencia de Fosse, onde o papel de Gladys Notchkiss foi criado especialmente para ela.

Carol causou mais do que uma sensacao em „The Pajama Game“, parando o Show todas as noites com o fabuloso „Steam Heat“ – num estilo Fossiano já mais maduro, mas Chaplianesco... Do outro lado da rua trabalhava, também num Show coreografado por Fosse,"Damm Yankees", Gwen Verdon, sua mulher.

Em “Pajama” Carol também cantou “Hernando’s Hideaway” (que transformou-se na música predileta de Callas… pode?).

Carol foi responsável pela carreira de Shirley MacLaine – que era a substituta de Carol mas que, já sem esperanças de entrar em cena, chegou um dia atrasada no teatro, para pedir demissão: Carol tinha quebrado o pé e abaixo de vaias Shirley entrou em cena – bem a carreira dela dura até hoje… e que maravilhosa carreira (apesar do fracasso de “Sweet Charity” – também com Fosse como diretor e coreógrafo – no papel de Charity Valentine que tinha sido imortalizado na Broadway por ninguém mais nem menos do que Gwen Verdon nesta versão musical de “As noites de Cabíria”).

Carol recebeu o “Tony” de melhor atriz coadjuvante num musical de 1955.
Havia “chegado”.
Ele voltou a Hollywood para a versão cinematográfica de “The Pajama Game”, trabalhando desta vez num outro “Status” com Doris Day.

O seu projeto seguinte seria “Les Girls” (MGM 1957) com Cyd Charisse e Leslie Caron. Mas Cyd quebrou o pé, Caron engravidou e uma terrível diabete foi constatada em Carol. O projeto foi em frente com a incrível Kay Kendall, Mitzi Gaynor e Taina Elg (e Gene).
Ela foi aos poucos engordando, inchando e depois de poucas aparições na Televisão (como aqui ensaiando com Neil Sedaka) dedicou-se à coreografia. Fez na Broadway “Bravo Giovanni”, “Flower Drum Song” e, com uma novata chamada Barbra Streisand, um musical que já em 1964 transformaria-se numa lenda: “Funny Girl”.

Um mes depois da estréia de „Girl“ na Broadway, Carol morreu, aos 39 anos de uma pneumonia que foi agravada pela sua diabete e por um terrível caso de alcoolismo, que a acompanhava já há mutos anos devidos ao seu corpo torturado pela fatiga da dança (Muitos disseram que Carol era uma pessoa muito auto-destrutiva, usando seu corpo até à fatiga completa) e à grandes frustrações devido à uma carreira que, assim como comecou, de um momento para o outro, acabou. Ela, na realidade poderia ter feito mais… mas o tempo nao foi amável com ela.

Carol, “Steam Heat” SEMPRE será seu… vejam "Steam-Heat" (eu nao disse acima "Chaplianesco"?) e "From this moment on" (em homenagem a minha querida amiga Cristina Martinelli) que acabei de copiar do Youtube!!!! Nao era ela também uma bailarina maravilhosa???? Qual sua cena preferida? ">">

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Roxie Hart (1942) e Chicago (1975)




Roxie Hart (1942) vs. Chicago (1975) -

cada um de sua forma um clássico!

“Roxie Hart” é um filme engracadíssimo da 20th Century Fox de 1942, baseado num filme mudo de 1927 chamado “Chicago” que por sua vez foi baseado numa peca de teatro de Maurine Dallas Watkins; uma repórter que encontrou sua inspiracao “literária” em dois processos “da vida real” que ela cubriu nos anos 20 para o “Chicago Tribune”.
O roteiro de Nunnaly Johnson concentra-se numa frustrada “showgirl” que confessa um assassinato em Chicago, esperando assim receber bastante publicidade para ajudar sua medíocre carreira em “show-business”. No final da estória: uma parábola bem “negra” sobre o sistema de justica americano.
O elenco é liderado por uma vulgarérrima e incrívelmente diferente Ginger Rogers de cabelo escuro, exatamente na melhor fase de sua carreira (tinha-se já separado de Fred Astaire e recebido o Oscar em 1940 por sua “Kitty Foyle”, um filme polemico para a época por tratar da problemática de uma mae-solteira). Sua “Roxie” é realmente fenomenal: vulgar, faladora, safada, mentirosa, sexy... O elenco secundário conta com o chatérrimo Adolphe Menjou, George Montgomery e a simpatissíssima Spring Byington – outra daquelas maravilhosas “supporting actresses” dos anos 40!

Cenas inesquecíveis: Roxie sapateando numa escada de metal (e conseguindo tirar desta sons incríveis de dar inveja à qualquer sapateador), Roxie dancando o “Black bottom” numa entrevista para a imprensa e Roxie (como uma gata) brigando com “Velma”, outra prisioneira que colocou suas esperancas no colo da “promocao” que a imprensa fazia nestes casos (os sons em background nesta cena sao de duas gatas brigando... um efeito inteligente!). “Velma” é um personagem que só foi mais desenvolvido para o musical, 33 anos depois...

“Chicago”, a peca musical baseada por sua vez em “Roxie Hart” , estreiou em 3 de junho de 1975 com um “cast” que incluía grandes nomes da Broadway: “the one and only” Gwen Verdon (Roxie) assim como Chita Rivera (Velma Kelly) e Jerry Orbach (Billy Flynn, o advogado de defesa). Um grande “tour-de-force” principalmente para Verdon & Rivera, que colocaram a vaidade de lado e apesar de estarem já “nos 50” desfilaram “semi-nuas” com um guarda-roupa que nao foi realmente concebido para deixá-las jovens, esguias e sensuais – Muito pelo contrário (que profissionais!). Aí está um ponto de Chicago que depois foi ou esquecido ou (por questoes finaceiras) ignorado: Roxie e Velma sao coristas já “bem passadas” dos 40... Uma frase da cancao principal de Roxie foi até cortada em versoes posteriores: “I’m gonna tell you the truth, not that the truth really matters but I am gonna tell you anyway... the thing you see, I’m older than I ever pretended to be”. A direcao, o roteiro (com o compositor Fred Ebb) e coreografia foram feitas pelo, para mim genio, Bob Fosse.
Esta “extravanza” musical é bem mais “ousadamente sexy” do que o original – mas esta é uma qualidade “Fosseana” repetida várias vezes (“Cabaret”, ”Pippin”, “Dancin’ ”, “All that jazz”... ) durante sua magnífica carreira de diretor e coreógrafo no teatro e no cinema: ele era exageradamente sexista!

“Chicago”, apesar de ter sido um grande sucesso na temporada de 1975, foi completamente ofuscado por “A chorus line”, que estreiou no mesmo ano: Chicago foi nominado para 11 Tony Awards... e perdeu em TODAS as categorias para “A chorus line”. Quando teve porém sua “revival” em 1997 com coreografia de Ann Reinking “no estilo de Bob Fosse”, este musical virou de novo um grande sucesso e ganhou 6 “Tonys” – o que jamais tinha acontecido com uma “revival”.
O filme para mim nao merece ser mencionado – as duas atrizes principais estavam completamente erradas para os papéis e por isto nao conseguiram dar a dimensao apropriada para Roxie e Velma – duas delícias para serem interpretadas. Além do mais, muito jovens...

Em sua biografia Ginger Rogers conta que conversando com Gwen Verdon, depois de uma apresentacao desta em “Chicago” na Broadway, ela comentou que “infelizmente nao tenho um número de sapateado como o seu nas escadas de metal”. Just for the record.

Gwen e Fosse já se foram há muito tempo, mas continuarao eternos para o mundo do musical!

P.S. Bob Fosse nasceu em Chicago...


domingo, 2 de março de 2008

Lady (really) in the dark (1944)


Lady in the dark: Um filme muito mal compreendido e práticamente esquecido de 1944.

Baseado na peca (como cedilha faz falta...) homonima o filme narra as aventuras de Liza Elliott com o detalhe que todos os números musicais sao sequencias de "sonhos" enquanto ela é analisada pelo seu psiquiatra, o que, para a época, ainda era um tema bastante novo, principalmente para um musical!

Este (música de Kurt Weill, Libretto de Ira Gershwin) foi dirigido pelo nao muito brilhante Mitchell Leisen. Um detalhe porém é bastante interessante:
Na vida de Mitchell Leisen havia uma coisa que ele realmente detestava mais do que tudo:
A música de Kurt Weill.

Entao qual foi a solucao que ele encontrou? Cortou a maioria das músicas, encurtando assim muito as sequencias dos sonhos e transformando o filme num "outro" musical.
Na época toda a publicidade se concentrou no preco do guarda-roupa de Ginger - inclusive o vestido de mink usado na sequencia do "Circo" (na qual ela canta "The saga of Jenny", um número que foi mantido do original da Broadway e que era realmente "o" show-stoper deste espetáculo!) que na época custou a quantia absurda de US$ 35.000,- (vide foto acima!) Nao esquecamos que o mundo estava em guerra em 1944 e um costume deste preco... hoje em dia isto nao seria políticamente correto.
By the way: Ginger está maravilhosa neste filme, principalmente em "Jenny". Este é talvez um de seus melhores papéis, depois de "Roxie Hart" (que inspirou muita gente... mais sobre "Roxie", Chicago, Gwen Verdon & Cia. numa postagem futura!). Ginger nao está interpretando Ginger - o que foi muito comum na série de filmes que fez nos anos 40 depois do seu Oscar por "Kitty Foyle" em 1940 (um outro filme no qual os trejeitos gingerianos nao faltaram "en masse"). No palco Liza Elliott foi criada por Gertude Lawrence que lutava todas as noites com um novato chamado Danny Kaye que estava roubando o show (na sequencia do circo). Sua "cancao" foi cortada (na qual ele só citava nomes de compositores russos) para o filme e seu papel foi interpretado por um estático Misha Auer. Pelo menos Ginger nao teve o mesmo problema de Gertrude: cantar seu show stoper exatamente depois que Danny Kaye terminava o seu... Nesta sequencia também aparece um (visívelmente) tenso Ray Milland... cantando!!!!!!!!
Há tres semanas eu consegui este filme num leilao do e.bay. Viva o e.bay!!! Eu só buscava este filme há uns 30 e tantos anos - adicione quantos "tantos" quizer à estes trinta... Devem ser quase quarenta! (Lembro-me de te-lo assistido ainda crianca, na entao famosa "sessao das duas" da Globo! Ainda existe?). E por incrível que pareca: O filme é realmente como eu me lembrava!

Uma das melhores "linhas" da peca e do filme (na sequencia de sonho, na qual Liza é famósissima, muito bem sucedida, chiquérrima, inteligentíssima. pessoa central na alta-sociedade, amiga pessoal do presidente, uma rainha do "glamour" etc. e tal) é:

"Oh, how lovely to be me...
If there's party I'm always the host of it,
If I'm in town I'm always the toast of it,
If there's a haunted house I'm always the ghost of it"