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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Getting to know you: do "Petit Prince" à música de Rodgers e Hammerstein...

Voces se lembram como o pequeno Príncipe e a rapozinha se conheceram aos poucos?
Bem devagarzinho?

Jamais esquecerei a delicadeza dos sentimentos expressados por Saint-Exupéry nesta passagem do famoso livro… « Cativa-me » disse a rapozinha… lembram?

Os grandes Richard Rodgers e Oscar Hammerstein usaram esse mesmo tema em dois de seus melhores trabalhos.

Em « The Sound of Music » (1959) eles colocaram este « cativar » e « se conhecer aos poucos » na cena em que Maria canta para as crianças “My favourite Things”. Nesta ela “se expõe” completamente para elas contado de suas preferências… Sejam elas « Schnitzel with Noodles » ou poéticamente os “silver white Winters that melt into Springs” .


Julie Andrews comentou uma vez num documentário que o filmar dessa cena (1965, A Noviça rebelde) foi o momento em que conheceu realmente pela primeira vez os meninos com quem iria trabalhar por muitos meses… E a própria canção ajudou a cementar o que se transformaria numa amizade para toda a vida…


Em “The King and I” (originalmente de 1951) Deborah Kerr (no filme de 1957) tem uma postura mais direta e coloca logo a sugestão de “Getting to know you” no ar; como uma expectativa para esta “aula”.


Ela resume toda esta “viagem do conhecer-se, cativar-se” em duas simples frases (musicais).

Getting to know you,
Getting to know all about you.
Getting to like you,
Getting to hope you like me

e em

Haven't you noticed
Suddenly I'm bright and breezy?
Because of all the beautiful and new
Things I'm learning about you
Day .. by ... day…



E foi um pouco assim durante nossas férias na Tailândia – principalmente no hotel de Koh Samui onde ficamos os últimos dez dias.

O Staff sempre gentil, atencioso e sorridente, mas corretamente “com uma certa distância”, foi nos conhecendo “day by day”, peu à peu... da mesma forma que fomos lhe conhecendo e nos abrindo aos poucos, eles foram cada vez mais se abrindo para nós…
até o ponto da nossa despedida ter sido triste – lágrimas inclusive.

Não é mais, hoje em dia, “normal” conhecer-se pessoas que em questão de dias se transformam, por causa de sua educação, meiguice, carinho e energia em amigos. ´
Mesmo se nunca mais nor ver-mos, somos amigos para a vida! Eles tem seu lugar nos nossos corações!

Estamos falando, queridos Tertulianos de pessoas não privilegiadas financeiramente, pessoas que nada possuem, que tem € 50 por mes de salário e que mesmo assim quizeram nos dar um presente de despedida… pode coisa mais querida? Sim isso ainda existe… e neste mundo que é cheio de maldades, fofocas, calúnias, como foi “refrescante” voltar à “minha” Tailandia este outono…

Estamos falando, amigos Tertulianos, de pessoas que levam dentro de si a filosofia do Budismo – não falo de religião e sim de filosofia… Filosofia esta enraizada e “cementada” dentro da alma tailandesa, Que beleza!
Ahhhh, voces nem imaginam como esta viagem, espiritualmente, me fez bem!

A vida pode realmente ser um Obra de Arte!

Ao "Silavadee Pool & Spa Resort" o nosso grande agradecimento (e realmente recomendo este Boutique Hotel)!

And our Thanks and love to our Friends Anny, Aon, A, Pui, Sao, Golf, Tum, Nong and Vorn!

Kop-Khun-Krap & Sawadee-Krap!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Just the way you are: Lesley-Ann Warren e eu...


Sempre adorei Lesley-Ann Warren... Uma atriz e tanto. Faz de tudo - até de "Mama" de Susann em "Desperate Housewives" atualmente.

Mas em outros tempos ela deu vida a outro tipo de personagens... Alguns deles inesquecíveis, principalmente a enlouquecida e desvairada Miss Cassidy em "Victor, Victoria"


e a personagem que interpreta (de 18 a 80 anos) numa série de TV americana chamada Beulah Land ao lado do meu querido, já falecido, Michael Sarrazin.


Poucos porém se lembram de um outro lado seu quando era mais jovem... a "ingenue" e a cantora... mais doce, mais meiga, muito mais querida...
Aqui Lesley num momeno especial (num - believe it or not - "Muppet Show") cantando palavras que compreendo bem... que lindo texto... Que verdadeiro!


Quanta delicadeza! Que prazer infinito ter reencontrado este clip.
(Para verem ao que me refiro, puxem logo o vídeo para 02:15 Minutos!)
Thank you Lesley-Ann!

domingo, 25 de setembro de 2011

Liza & Billy Stritch: Back in Business... (e eu amanhã "back to business")

Não é que eu realmente esteja « back in business » (nunca saí dele) mas amanhã, depois de duas semanas e pouco fora da Austria, estarei “back to business” (apesar de minha cabeça ainda estar em algum lugar em Koh Samui… depois conto das férias!).


Bom “voltar” às Tertúlias... Acreditam que em todo esse tempo nem liguei algum computador? Isso sim que é descansar!

Divirtam-se com Liza – em grandíssima forma – com Billy Stritch por ocasião de uma homenagem a Stephen Sondheim… Genio…
Amo esta música, o piano glorioso de Stritch (ele tocou para Liza este ano aqui no festival de Jazz!) e a coreografia... Reparem com “que energia” as bailarinas saem do palco… que coisa animada! Que coisa mais gostosa e contagiante (em sua energia) este número!

Thank you, Liza! De certa forma, com este número, voce me ajuda a voltar "mais fácilmente" à rotina do trabalho...

domingo, 21 de agosto de 2011

Nikolaj Lugansky - ídolo!

Querido, admirado Nikolaj Lugansky,

quanto talento...

eu tive a oportunidade já algumas vezes de ve-lo/ouví-lo ao vivo e tenho que confessar: outros daqueles momentos nos quais as palavras me escapam por não ter como descreve-los. As palavras me escapam totalmente... mas está tudo aí na "sua" música! (Para quem puder: sua "fantasia" sobre "Götterdämmerung" (Crepúsculo dos Deuses) de Wagner é em si um trabalho de arte sublime!)

Voltando ao "pointe": como pode-se "descrever" em palavras tal talento e momento? Impossível...

Só posso dizer uma coisa: como é gratificante o fato de ainda, neste mundo tão corrido, injusto e doído, ter-se "ídolos"!!!! Sim.

Aqui, com Rachmaninoff, mais um daqueles momentos nos quais uma sala de concertos transforma-se num templo.
Viva!


sábado, 6 de agosto de 2011

Begin the Beguine - para que supérfluas palavras????????

Palavras... Palavras...


Há alguns dias tive a ousadia de articular as seguintes palavras sobre Katharine Hepburn:

«Mas aqui estou eu de novo, com dificuldades para escrever sobre ela.
Kate sempre me deixou boquiaberto demais, sem palavras para poder sequer sugerir o que vejo e sinto na sua arte… Acho dificílimo expressar o que sinto com seu desempenho… Um bloqueio gramatical completo.
Talvez esse seja o real motivo de escrever tão pouco sobre ela… “


Desde então esta questão do “bloqueio” tem me ocupado bastante e “peu a peu” dou-me conta de ter esta mesma reação em relação à dezenas de coisas… como por exemplo esta cena abaixo com Fred & Eleanor Powell


Começo a perceber que para mim existem coisas que não mais tem o "must" de serem descritas com simples palavras… Elas já “são”: como no rosto, o ”mundo interior” de Katharine Hepburn… E no que se sente vendo um por-do-sol, ouvindo Mozart ou Puccini, olhando um quadro de Lautrec, assistindo Gelsey Kirkland e por aí vai a lista...

E a dança destes dois…

Se pudéssemos realmente decreve-la em palavras ela se transformaria em literatura, deixaria de ser dança…

Para que palavras? Está tudo aí… Está aí tudo "dito"...

N'est-ce pas?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Smoke gets in your eyes... que música, que dança...


Hoje pela manhã, a caminho do trabalho, ouvi por acaso esta melodia da qual tinha-me já quase esquecido… Há quanto tempo não pensava nela e no maravilhoso número musical com o qual estará para sempre (na minha cabeça) vinculada…

Um número inesquecível de um filme esquecível („Lovely to look at”, MGM 1952), um remake de “Roberta” - no qual Ginger & Fred tiveram uma participação práticamente como coadjuvantes ao lado de Irene Dunne e de um bonito Randolph Scott.


Apesar de um bom elenco (Red Skelton, Kathrin Grayson, Howard Keel, Ann Miller e – pela primeira vez nas telas – a canastroníssima e encantadora Zsa Zsa Gabor), lindos figurinos, maravilhosa música e uma produção impecável, daquelas “ao nível” da Metro, o filme não “acontece”…

Marge & Gower Champion porém roubam o filme.

Ela nunca teve realmente uma carreira “considerada” (físico nada propício à uma bailarina e pernas muito curtas). Ele, como seu contemporaneo Bob Fosse, nunca alcançou sucesso na grande tela. Apesar de muito mais brilho (e técnica) do que Fosse, ele viveria para transformar-se num dos mais prestigiados diretores e coreógrafos da Broadway.

De qualquer forma:
Viva este inspiradíssimo “Smoke gets in your eyes”.
Viva o eterno Jerome Kern e sua música.
Viva a magia do departamento técnico da Metro para fazer desaparecer todos esses cenários.
Viva o figurino, as cores, a orquestração, a camera e a coreografia.
Mas, acima de tudo, Viva Marge & Gower Champion por esta perfeita harmonia que aqui nos presenteiam !!!!!!!!!

sábado, 9 de julho de 2011

Do I love you because you're beautiful? (or are you beautiful because I love you?)

A original produção de Rodgers & Hammerstein de „Cinderella“ para a televisão foi ao ar (ao vivo, imaginem!) em 1957…


Outras produções para a televisão da mesma obra seriam feitas ao decorrer dos anos mas alguma coisa ainda permanece de certa forma “inatingível” nestas produções… Acho que talvez pela simplicidade, pela “naiveté” da época, do preto-e-branco, dos “truques” feitos ao vivo (como por exemplo o do vestido que Cinderella recebe da fada-madrinha para ir ao baile), do “calor” gerado por interpretações honestas…


Rodgers e Hammerstein aceitaram rápidamente a proposta da NBC para criar este musical para a TV principalmente por um motivo: a possibilidade de trabalhar com Julie Andrews (na época triunfando em “My Fair Lady” na Broadway). Este trabalho parece ter sido brindado com muita harmonia e sensibilidade. Elementos que até hoje podem ser “sentidos” ao assistí-lo.


Uma jovem Julie de 22 anos é absolutamente honesta (e linda) e nos conquista completamente como Cinderella (aqui entre nós: que delícia ve-la nesta idade... ainda 7 anos antes de Mary Poppins! Que voz mais preciosa!),


as deliciosas Ilka Chase, Kaye Ballard e Alice Ghostley são a madastra e as meia-irmãs (mais engraçadas do que realmente más), os veteranos da Broadway Dorothy Stickney e Howard Linday dão vida aos bem-humorados rainha e rei, o “casting” de Edith Adams como a fada-madrinha jovem, brincalhona (bem longed a sua sexy “Daisy Mae” de “Lil’ Abner” (Ferdinando) é inspirado e o novato Jon Cypher embeleza o papel do “Prince Charming” com sua maravilhosa voz…


Num documentário sobre “Cinderella” Kaye Ballard nos conta de um ensaio em particular em que todos os atores estavam presentes. Richard Rodgers e Oscar Hammerstein tinham “tirado do forno” um segundo dueto de amor para Cinderella e o príncipe (o primeiro chamado “Ten Minutes ago”). Richard sentou-se ao piano e começou a tocar e cantar… nenhum dos olhos naquela sala de ensaio naquele dia permaneceu seco tal a comoção geral.


A música, de beleza comovente é de uma simplicidade enorme. Seu texto descreve básicamente tudo o que dois apaixonados se dizem e perguntam… “será que vejo tudo assim só por causa do meu amor por voce”? Comprovem.

♫ ♪ ♫ Do I love you because you're beautiful,
or are you beautiful because I love you?
Am I making believe I see in you a girl too lovely to be really true?

Do I want you because you're wonderful,
or are you wonderful because I want you?

Are you the sweet invention of a lover's dream
or are you really as beautiful as you seem?




Am I making believe I see in you a man too perfect to be really true?

Do I want you because you're wonderful,
or are you wonderful because I want you?

Are you the sweet invention of a lover's dream
or are you really as wonderful as you seem? ♪ ♫ ♪


Rodgers & Hammerstein teriam num bem próximo futuro algumas “chateações” com Julie: Quando esta fez seu primeiro show de TV com Carol Burnett (Julie and Carol at Carnegie Hall, 1962), aproveitou para fazer um número satírico chamado “Family Pratt”, que foi descaradamente baseado na “Family Trapp”, do musical de Rodgers e Hammerstein , “The Sound of Music” (A Noviça rebelde). Julie achava o personagem da novice tão absurdamente ridículo e não perdia nenhuma chance para debochar dele (“We’ll brig you a happy song that I used to sing when I was a happy nun back home in Switzerland…”) o que chateava demais Rodgers e Hammerstein. Julie mal sabia que em dois anos assinaria um contrato para dar vida à Maria von Trapp nas telas, papel que a transformaria, junto à Mary Poppins, numa estrela internacional! Mas isto é “pano para manga” para uma outra hora…

quinta-feira, 23 de junho de 2011

REMEMBERING: Leontyne Price

Viena, 18.6.2011

Ontem acordei com o que chamo de “My Leontyne Price-Mood”. Entre meus vários CDs busquei um (capa abaixo) com «A» gravação de «Chi il bel Sogno de Doretta» de «La Rondine» (Puccini). Uma de suas interpretações que mais prezo, mais admiro… E fiquei pensando, refletindo sobre a carreira desta excepcional artista…


Que longo caminho percorreu esta menina de Laurel, Mississipi…


Filha de uma parteira e de um marcineiro que a encheram de amor (esperaram 13 anos pela “chegada” dessa criança em 1927), já na tenra infancia Leontyne demonstrou seu talento em relação à música. Com tres anos de idade seus pais lhe deram um piano de brinquedo – para logo colocá-la em aulas sérias com uma professora local. O “gramofone”da família foi vendido para interar o “sinal” de um piano verdadeiro para a menina Leontyne. A patroa de uma tia sua (que era lavadeira), Mrs. Chisholm, figura de influencia local, incentivou não só seus estudos de piano como também sua extraordinária voz.
O resto é história.

Com a ajuda financeira dos Chisholm e do baixo Paul Robeson (que deu um concerto beneficente para ela) ela pode aceitar uma bolsa de estudos na Julliard – pois seu “alvo” era tornar-se uma professora…
Uma revival de “Porgy and Bess” de Gershwin em 1953 mudaria sua vida. Neste mesmo ano o “Met” convidou-a para cantar com o Ensemble no Ritz Theater da Broadway para uma Gala de fins caritativos. Ela foi então a primeira afro-americana a cantar “com” o Met (apesar de não ter sido a primeira a cantar “no” Met).

Mais anos de muito estudo, definição de repertório, aprendizado em recitais, tournées pelos U.S.A., India e Australia seguiram… Até que em setembro de 1957 ela debutou no palco da Ópera (“Dialogues de Carmélites” de Poulenc). Antes ela já tinha sido convidada por Herbert von Karajan para debutar no Scala (sob sua regencia) em “Salomé”, ela porém declinou. Não sei realmente porque…

Em 1958 mais uma vez von Karajan convidou-a para «Aida» na Staatsoper em Viena – palco que seria muito importante para todo o resto de sua carreira, palco no qual foi declarada “Prima Donna assoluta”. Leontyne Price virou a cabeça do público vienense, revolucionou o mundo da Ópera aqui e tornou-se o ídolo dos estudantes que a carregavam desde a entrada dos artistas da Staatsoper até o Hotel Sacher, onde se hospedava.


No ano seguinte ela retornaria à Viena não só para repetir seu sucesso como “Aida” mas também para debutar como Pamina em “A flauta mágica” de Mozart. Sua pura voz e um “entendimento” mais do que simplesmente “gramático” do idioma alemão deram-lhe a facilidade de entender a delicadeza e projetar a leveza de um Mozart, assim como anos mais tarde abririam-lhe as portas para a complexidade das perfeitas, poéticas frases musicais de um Richard Strauss

Depois de Viena seguiram-se “debuts” no Covent Garden, Arena di Verona e no “La Scala”.

Rudolf Bing, o temido diretor do Met, convidou-a para uma única performance de “Aida” no Met em 1958. Ela não aceitou, como lhe foi recomendado pelo seu “manager”: “Leontyne Price está destinada a ser uma grande artista. Quando ela debutar no Met, será como uma grande Dama, não como uma escrava”, disse ele.


Um ano mais tarde Bing a ouviu uma vez mais em Verona em “Il Trovatore” e a convidou para o Met – desta vez para vários papéis. Ela aceitou.
Ela debutou junto a Corelli em “Trovatore” (num, por ssim dizer “debut duplo”) e o público a ovacionou por 42 minutos! Um “record” até hoje na história dessa casa.


Entre os vários papéis que lhe foram oferecidos figurava também Cio-Cio-San de “Butterfly” que ao contrário da “lenda” foi interpretada SEM maquiagem branca .


Sua última “Ópera” foi “Aida” em 3 de janeiro de 1985. Uma carreira de 32 anos que ainda continuou em concertos e recitais em Hamburgo, Viena, Paris, Lucerna e no Festival de Salzburgo por mais 12 anos. Seu poder vocal foi fenomenal. Ela sempre alcançou os “High Cs” com muita facilidade – ela mesmo disse que, debaixo do chuveiro, alcançava regularmente também um “High F”. Fenomenal.

Inspiração de grandes artistas como Kiri Te Kanawa, admirada por «colegas de profissão» como Pavarotti (“Só poucas cantoras conseguem encher um “Hall” para um concerto ou um recital: Joan Sutherland, Leontyne Price e Marilyn Horne”), Placido Domingo (“O mais lindo Soprano de Verdi que até hoje ouvi”) e até Callas (“Eu ouço muito amor em sua voz”).


Leontyne recebeu muitas homenagens em sua bela carreira – a última em 2008 “Honoree at National Endowment for the Arts Opera Honors”.
Ela vive em Greenwich Village.

Gostaria de deixar aqui dois momentos, bem diferentes, de sua fase concertante. A ária de «La Rondine» ao qual me referi quando comecei a escrever esta postagem… o que ouvi ontem…
Que momento supremo!!!!



…e, já celebrando o (nosso) verão que entrará dia 21... “Summertime” de Gershwin. "Carro-chefe" que ela nunca esqueceu apesar de que técnicamente não se compara ao canto lírico que a tornou famosa em todo o mundo. Eu adoro...
Eterna Leontyne Price!!!

sábado, 18 de junho de 2011

REMEMBERING: On such a night as this... de Jeanette MacDonald e Liza Minelli a Michael Feinstein e Greta Keller...

Sabendo que minha amiga Danielle Crepaldi gosta muito de Jeanette MacDonald, dedico-lhe com muito carinho esta postagem que, acho, vai dar-lhe uma nova informação sobre uma não mais tão jovem Jeanette!

Na semana passada estava ouvindo no carro o último CD de Liza Minelli que chama-se “Confessions” – um “relato” bem honesto sobres suas canções preferidas, aquelas que ela costumava cantar depois dos shows, junto aos seus companheiros de teatro – aqueles momentos íntimos nos quais a classe artística “entertain” a classe artística… momentos que existem até hoje no bar do “Algonquin” na 44th Street em N.Y..


Este “álbum” parece ter sido feito em momentos de grande dificuldade na vida de Liza – antes e depois de uma operação que fez. Tudo acompanhado do sabor amargo de “dor” e “recuperação”. Chapeau para esta artista que não só escolheu material musical perfeito para sua voz e técnica momentaneas, como também por ter passado “por cima” da dor…

Entre as canções que interpreta, uma se destacou imensamente para mim: “On such a night as this”. Quanto mais a ouvia, mais parecia-me já conhece-la… seu texto melancólico “conta” de Julieta, Gershwin, Wagner, Robert Taylor, Garbo, Judy Garland e Jeanette Mac Donald!
Sua melodia ficou gravada na minha cabeça e eu me “peguei” cantarolando-a durante dias…

Ontem me lembrei de onde a conhecia… e loucamente comecei a mexer em tres gavetões lotados de cassetes que não são tocados há anos !


Finalmente encontrei um de Michael Feinstein chamado „Live at the Algonquin“ (mais uma vez o Algonquin… e os shows dados no famoso “Oak Room” que foi gerenciado muitos anos por uma cantora austríaca que nao só cantava como também cozinhava (no “Oak Room” do Algonquin pode-se jantar muito bem) em sete línguas: Greta Keller


(para quem não a conhece basta ouvir na trilha sonora de “Cabaret” a canção “Heiraten”).


De volta a Michael Feinstein. Sim, foi ele que ressucitou esta esquecida canção de Hugh Martin (compositor entre outras de grandes sucessos de Garland como «The trolley Song », «Have yourself a merry little Christmas “, “The boy next door” e de cinco musicais da Broadway!).

Mas porque “esquecida”?
Em 1962 Marshall Barer e Hugh Martin estavam escrevendo o « score » de um novo musical para a Broadway. Este deveria ser chamado “A little Night Music” (título que não tem nenhuma relação com o musical de Stephen Sondheim composto mais tarde).

O show estava sendo escrito especialmente para duas pessoas: a veterana do cinema (e de recitais) Jeanette MacDonald e uma jovem menina que começava a “despontar”, Liza Minelli.
MacDonald, já uma “quase sessentona”, estava bem longe dos seus dias “glamourosos” na Metro e de sua muito especial, singular beleza…


Este número, um dueto cantado por MacDonald e Minelli, deveria “se passar” com as duas índo de set a set no velho Backlot da MGM!

Que fantástica idéia – ouvir a própria Jeanette cantando sobre ela mesma e Liza sobre sua mae!

There’s something in the air that you can sense
Elusive but unbearably intense
The Stars are hanging there in bright suspense
As they prepare to light immense events

On such a night as this
did young Lorenzo swear
he’d gladly swim a thousand seas
to please his lady fair?

On such night
did Wagner write
“The evening star”?
‘Neath such a moon
stood Lorna done
and Lochinvar?

On such a night as this
Did gentle Juliet cry
“Forget that I’m a Capulet
and set me by thy side”?

Hurry, my sweet
Wings on your feet
You musn’t miss
The sheer delight
On such a night
as this


‘Twas such a night as this
when Judy Garland swore
“I just adore him
How I can ignore the boy next door”?

On such a night
Did Gershwin write
His Rhapsody ?


On such a set
did young Jeanette
sing, “Lover come back to me”?

On such a night as this
Did Robert Taylor sigh
As Garbo gave a little cough
And wandered off to die?

Lately I find
I’m disinclined
To reminisce
Except, perhaps
On such a night as this…


Aqui Tod Hall num momento "romantico" com "On such a night as this"!



Outro detalhe da produção – ao meu ver também muito interessante – foi uma outra composição chamada “Wasn’t it romantic?”.

Jeanette tinha cantado em “Love me tonight” (com Maurice Chevalier) a canção intitulada “Isn’t it romantic?”.


Uma cena pedia que uma MacDonald mais velha cantasse “Wasn’t it romantic?” simultaneamente a imagem de uma jovem MacDonald, numa tela, na cena de “Love me tonight” cantando “Isn’t it romantic?”.
Que idéia sensacional…

Mas MacDonald adoeceu gravemente com um problema coronário do qual já sofria desde os anos 50 e que seria para ela fatal. O projeto foi esquecido, Liza estreiou em “Flora, the red Menace” e estas canções caíram no “limbo” do esquecimento. Agora foram ressucitadas.

Uma pena o mundo não ter visto “A little Night Music”.

Agora nos resta a memória destas melodias e muita imaginação…

quinta-feira, 9 de junho de 2011

The Shop around the Corner: Budapest, Chicago, New York…

Sou apaixonado por lojas antigas, lojas com “história”, com passado, com vida… Adoro esta atmosfera de um “estabelecimento” com “fundamentos”, sólido, estável… Luvarias, Chapelarias, Lojas de música, Livrarias...

„The Shop around the corner“ (MGM, 1940) com Margaret Sullavan (grande concorrente e alvo da cólera de Katharine Hepburn no início de sua carreira) e James Stewart, é um daqueles “filminhos” gostosos e simpáticos para se ver numa sessão da tarde de um dia de chuva.
Amo a atmosfera deste filme, da fotogtrafia, dos personagens, da “loja” de presentes no centro de Budapest. (o roteiro foi baseado numa peça de Miklós Lázló chamada “Parfumerie”).


Sob a direção do “mestre” Ernst Lubitsch, os personagens se desenvolvem de uma forma cheia de “fluidez”: dois empregados da loja que se odeiam (e sem a menor idéia que se correspondem…): Klara Novak (Sullavan) e Alfred Kralik (Stewart). O dono da loja, Sr. Matuschek (Frank Morgan, o “Mágico de Oz”), um outro empregado ganancioso, Ferencz Vadas (o grande ator Joseph Schildkraut), a “caixa”, uma senhora apaixonada pelo Sr.Matuschek, por quem é secretamente amada, Flora Kaczek (Sara Haden) e o engraçado e espirituoso “entregador”, Pepi Katona (maravilhosamente desempenhado por William Tracy) que nos dá os momentos mais simpáticos do filme!

Óbviamente a MGM não poderia deixar um “roteiro desses”, tão “perfeito para o público familiar” (amado e venerado por Louis B-Mayer) empoeirar em prateleiras e em 1949 uma segunda versão, dessa vez musical, foi feita: “In the good old Summertime”.


Dirigido sábiamente por Robert Z.Leonard, nesse “remake” o “plot” foi transferido de Budapest para uma Chicago no início do século XX. O que dá uma qualidade “de época” (bem fotogenica por sinal) ao filme.

Contou não só com grandes canções (como o Hit de 1906 de Eva Tanguay, “I don’t care”), lindo colorido, cenários e figurinos “ao nível” da Metro como também a com a presença de Judy Garland e Van Johnson (nos papéis principais, desta vez chamados de Veronica Fischer e Andrew Larkin), do meu queridíssimo (austríaco) S.Z. Sakall (no papel do Sr. Oberkugen, o dono da loja), da simpatissíssima Spring Byington (como a caixa, Nellie) e até Buster Keaton como um empregado/sobrinho do Sr. Oberkugen.


A camera e as cores nos levam de volta aos tempos das lojas com balcões de mogno, cheiro de Madeira e de um estilo todo “parisiense” como um “Magazin” (alguém ainda se lembra da “Barbosa Freitas” em Copacabana? Tinha móveis como os que ainda se encontram nas “Galeries Laffayette” em Paris ou no “Saks” e no “Bergdorf & Goodman” – minha favorita – na 5th Avenue em N.Y., só para citar algumas… Porque tudo isso é “aniquilado” no Brasil? Porque esta falta de consideração ao “tradicional”?).


Nesta versão a loja do Sr. Oberkugen é uma loja de música… o que dá à talentosa Judy chance de se esbaldar em várias canções da época…


como em “Meet me tonight in Dreamland”:



Judy parece ter-se literalmente “esbaldado” com o material "tradicional americano" que foi-lhe dado para cantar – insistindo até que a canção “Last Night when we were young” fosse incluída no filme… Essa porém foi cortada dele na edição final. Apesar de muito conhecida pelo “Soundtrack” do filme e até por uma outra gravação de Garland, “Last Night” só foi vista nas telas finalmente em 2004 no documentário ”Judy Garland: By myself”.

A produção de “Summertime” foi coroada por um momento muito pessoal de Garland. Para a cena final do filme ela escolheu, para o papel de sua filhinha com Van Johnson. Uma criança que no futuro nos traria muitos momentos inesquecíveis: sua própria filha, Liza Minelli, aqui em seu "debut" cinematográfico!


Se sou sincero, tenho que admitir que esta segunda versão me agrada muito mais do que a primeira. Ainda é mais adequada para se assistir numa tarde chuvosa na “Sessão da tarde”.
Não quero porém de nenhuma forma tirar o crédito de “The Shop” pois é um filme maravilhoso e bem mais denso e “complexo” do que “Summertime” (e que aliás foi selecionado para preservação no Registro cinematográfico nacional dos U.S.A. na Biblioteca do Congresso por ser “culturalmente, históricamente ou estéticamente significante”). É simplesmente uma questão de gosto… Quando o reassisto, me transporto para minha adolescencia… de volta às épocas da “Sessão das Duas”



O musical da Broadway “She loves me” foi também baseado na mesma estória… Nunca veremos a produção cinematográfica da MGM, pela qual Blake Edwards e Julie Andrews (ambos em fases tenebrosas e bem frustrantes de suas carreiras) foram pagos US$ 1 milhão para NÃO fazer o filme… humilhação esta jamais sofrida anterior- ou posteriormente por membros da profissão…
(como confirmado num artigo de 1973: "Blake Edwards and Julie Andrews are reportedly being paid 1 million dollars settlement by MGM not to shoot their previously committed film, She Loves Me").

O filme “You’ve got Mail" (1998) com Meg Ryan e Tom Hanks foi também baseado na mesma estória (alguém reparou que a loja nos quais os dois trabalham chama-se “The Shop around the corner”?). Não é realmente dos meus prediletos…

Mas porque hoje “lojas”? Na minha última estadia em N.Y. fiquei realmente decepcionado com a forma com a qual as livrarias lá estão desaparecendo…

Impressionante.

Triste!

No último dia porém tive uma grata supresa. Passeando na parte da manhã pelo Upper East Side entrei por acaso na rua 59 e entre a Lexington e a Park Avenue, ou seja, práticamente “just around the corner” do Waldorf Astoria, encontrei a “Shop” que estava buscando: Argosy Bookshop!!!!! A minha “Shop around the Corner”!


Um mundo fascinante de raros livros antigos, muitos assinados, autógrafos, "americana", fotos, gravuras, mapas…
Tudo isso “emoldurado” de madeiras, cultura (principalmente no atendimento), cantos de leitura, pilhas de livros, porão…
Consegui “Catalina” de W. Somerset Maugham (que buscava há anos)!
Caíram literalmente nas minhas mãos dois volumes com todas as “short-stories” de Maugham… Não foi o preço porém o peso dos dois livros que me “freiou” de comprá-los… já no avião tinha-me arrependido de ter tomado tal atitude… No dia seguinte à minha chegada à Viena já estava eu “on-line” em contato com um vendedor de “Argosy”, encomendando os livros… que chegaram na sexta-feira passada… Minha amiga Maurette já os viu "ao vivo" pelo Skype e vibrou... Lindos volumes de 1953 com capa de couro... como livros deveriam sempre ser!

Claro que eu adoraria muito ter um contato com uma livraria como Anne Bancroft o teve com Anthony Hopkins em “84 Charing Cross Road”, por cartas (Conhecem o filme?) mas os tempos de hoje nos permitem ser um pouco mais rápidos (e assim não correr o risco que de alguém comprar os volumes que me interessam).
Ontem mesmo já entrei em contato com Argosy de novo… procurando mais livros que meinteressam… desta vez Paul Gallico… Ah, e as fotos e volumes autografados por Nureyev, Baryshnikov, Sybley e Dowell, Peter Martins, Fonteyn… e as primeiras edições de Fitzgerald… Um mundo…

Como disse anteriormente: uma loja antiga (de 1925, by the way), com “história”, com passado, com vida… com a atmosfera de um “estabelecimento” com “fundamentos”, sólido, estável… Que beleza!

Finalizando – como resisitir? Judy Garland, danadinha, eterna e elétrica em „I don’t care!”.

Viva o celulóide!