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terça-feira, 17 de maio de 2011

♪ ♫ Start spreadin' the News ♫ ♪ I'm leaving' today... I wanna be a part of it, New York, N.Y. ♪ ♫



Well, not really... I'm not leaving today but... AFTER Tomorrow!



Mal posso esperar para rever meu edíficio predileto... e fazer tantas coisas que adoro e que fazem parte da "philosophy of being Ricardo"!!! :-))

E aqui Liza, na primeira vez que a vimos em 1977 cantando o que se tornaria o hino inoficial dessa cidade (e de todos que a amam!).

I'm looking forward to it!!!! Again!!!!


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sexta-feira, 6 de maio de 2011

He touched me: Streisand "acontecendo" (mesmo) no Central Park...

Quando técnica demais prejudica...



Nunca fui um grande fã de Barbra Streisand (como voces devem ter notado aqui já que práticamente nunca me referi a ela) mas adoro certos desempenhos musicais seus como em “Funny Girl”, “Hello Dolly!”, “On a clear day you can see forever” e até certos filmes como “What’s up, doc?” (“Esta pequena é uma parada” de Peter Bogdanovich) e o lacrimejante (e bonito) “The way we were” (Acho que no Brasil chamou-se “Nosso amor de ontem"). Parei para pensar e percebi que os personagens "dela" que me realmente encantam são as moças judias (Fanny Brice, Dolly Levi e Kathie de "The way we were"). Yidish... e meu íntimo contato com esta cultura...

Tentei há algumas semanas atrás dar uma nova chance a um DVD que estava bem empoeirado no canto de uma estante e reassisti um show de Barbra de 1994.
Minha opinião sincera? Quase morri de tédio pois achei tudo tãããããããooooo chato…



Explico: não me refiro à Barbra dos anos 60, à Barbra do Brooklyn, à Barbra que adorava dar umas escorregadas no “Jidisch”… Me refiro porém à esta “persona californiana estilizada” criada por ela mesma, à esta persona que fala ingles correta- e eloquentemente, à esta persona “estudada” na qual se transformou… Sinto falta de mais espontaneidade. De "character"...

Quel dommage!

Comparei duas cenas em que canta a mesma canção – 27 anos separam ambas – e a minha decepção não poderia ter sido maior. Não estou falando de juventude, de “breijeirice”. Nem de envelhecer. Não.
Falo, infelizmente, de uma retrogressão como artista. Onde está aquela mulher que “jogava a voz no mundo” e nos abalava e emocionava? Só vejo uma longínqua sombra dela…

A canção? “He touched me” de uma esquecida peça de 1965 (“Drat! The cat !”) com Lesley Ann Warren e Elliot Gould. Ele, marido de Streisand na época, cantava esta música… mas como “She touched me”… Ela ficou com a música e o número #1# da Bilboard! Danadinha...

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Este é um daqueles casos nada frequentes nos quais o progresso técnico não ajuda pois interfere no meridiano das emoções tornando tudo o que era explosivo, sincero e espontaneo numa performance perfeita porém tão controlada até os últimos detalhes que a emoção não mais passa para o público, não "rompe" a quarta parede do palco...

Assistindo-a “hoje” penso que está até ao lado de si como que controlando com um cronometro o tempo de suas canções para que caibam melhor no futuro DVD, no CD... para render mais US$...
Precisa, metódica, técnica. Falhar é humano e bom... Transforma artistas em pessoas reais, humanas...

Não imagino esta Barbra de 1994 dominando um Central Park como o fez magistralmente em 1967…



Vejam ao que me refiro no memorável Show “A happening in Central Park” de 1967.



Streisand voou de Hollywood onde preparava seu primeiro filme – «Funny Girl». Seu "público" era composto de admiradores da Broadway, de televisão e de seus discos… Ao total mais de 40.000 espectadores, 12 (YES, só doze !) seguranças… Tempo anterior è Guerra dois seis (ou sete) dias entre o Egyto e Israel...

Como o mundo era bonito antes do terrorismo…

E essa “menina” de 24 ou 25 anos fazendo todos vibrar, chorar…

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

REMEMBERING: Eartha Kitt e ♫ ♪ Je cherche un homme, un homme, un homme... ♫ ♪

Gosto de ouvir às vezes velhos discos de Eartha Kitt. Em certos números considero sua voz uma das coisas mais charmosas da história... em outras, tenho que confessar, ela me irrita um pouco. Soa-me como uma gata miando... Estranho... ela foi nos anos 60 a "Catwoman" da série "Batman". Nunca havia pensado nisso em conjunto com sua voz! Mas, uma coisa é certa, a "persona" Eartha Kitt, criada ou por ela ou pela vida que teve, não é nada "common-place"! Acho interessantíssima esta mulher que trabalhou com tantos... inclusive com Orson Welles!



Eartha deve ter sido uma pessoa muito complexa. Cheíssima de emoções. Talentosa. Complicada. Amorosa. Temperamental. Agressiva.
Me lembro de uma entrevista, quase um documentário, que assisti uma vez na televisão, no qual todos estes adjetivos acima mencionados vieram à superfície… e como!

Fascinante sua trajetória.
Sua ida para a Europa e depois seu adquirido domínio da lingua francesa (consta que ela falava quatro idiomas e cantava em sete) que, mesmo nas suas canções em ingles, deu-lhe um ar todo especial, continental.



Mas o que mais me marcou nesta entrevista foi uma experiencia extremamente pessoal contada por ela.

Bem em início de sua carreira, ela retornou da Europa e não encontrava emprego em NY. Ela cita muito carinhosamente, e chorando, o nome de um produtor da Broadway que lhe conseguiu um emprego.

O porque do choro?
Sua situação finaceira na época era tão desesperadora que ela se encontrou sem dinheiro e comida em Times Square “andando as ruas”, "fazendo" o trotoir.
Sim, Eartha confessou nas entrelinhas mas muito claramente, que foi obrigada a se prostituir para poder sobreviver.
E foi num desses momentos que ele a encontrou.
E ajudou-a, tirou-a daquele Milleu, deu-lhe trabalho como cantora.

Ela sobreviveu.



Não esqueço sua expressão, seus olhos vermelhos – não esqueço a forma como ela nos descreveu sua trágica situação. O respeito e agradecimento que sentia por este senhor eram imensos. Pena não me lembrar do seu nome.
Ela teve muita coragem em “se despir” assim, perante uma camera.
Isso numa fase em que vivia um "come-back" e cantava para uma geração mais nova "This is my life", em ritmo de discoteca no final dos anos 80.

Fico pensando num de seus sucessos “menos” conhecidos: “Je cherche un Homme”… e no que ela pensava enquanto cantava, com uma voz adorável, essas palavras…

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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Easter Parade (Desfile de Páscoa)

Considero „Desfile de Páscoa“ (Easter Parade, MGM 1948) uma daquelas preciosidades musicais, uma verdadeira pequena jóia que a Metro criou nos anos 40. É um “filminho” compacto e gostoso para se assistir num dia chuvoso, melhor ainda se fosse na antiga e já há muito extinta “Sessão das duas” depois de chegar-se da escola...



Deliciosos números musicais com Judy, Fred, Ann Miller (que teve que dançar neste seu primeiro filme na Metro de sapatos rasos, senão ficaria mais alta que Fred) e até Peter Lawford, a música de Irving Berlin, o colorido da época, os guarda-roupas criados pela talentosa “Irene”, a precisa direção do
"ex-coreógrafo" Charles Walters... Tudo isso emoldurado pelos magníficos cenários da Metro.

No meio dos anos 70 recebi de minha amiga Flávia uma coleção de discos que seu pai (o antigo “chefe” da TV Globo, da “Grobis”, Walter Clark) não queria e mandou para mim de presente (Ele sempre me incentivava na questão “cinematográfica”). Lembranças boas…



Este foi meu primeiro contato com este filme – sim, através da trilha musical!!! E que trilha: sómente Irving Berlin (quando perguntaram a Fred Astaire em que lugar ele colocaria Irving Berlin na música americana, ele respondeu “Irving Berlin É a música Americana”).
Muitos anos depois eu descobriria uma cena que foi cortada do filme. Um incrível “Tour-de-force” para Judy, chamado “Mr.Monotony” (vide minha postagem de 04 de junho de 2010), que foi cortado de “Parade” por acharem-o muito “risquée” para uma platéia de 1912 (ano em que se passa o filme). Grande (e desconhecida) canção de Berlin, hoje em dia editada e assim "salva" de perder-se para sempre nos arquivos da MGM.



A cena final do filme transformou-se num clássico.
A música passou a ser uma espécie de “hino inoficial” da Páscoa (da mesma forma que “Have yourself a merry little Christmas”, também cantada por Garland em outro fime, tornou-se uma das mais tocadas canções de Natal) e o texto descreve com simplicidade um evento que até hoje tem grande importancia para New York, para seu turismo e também para sua sociedade: A parada da Páscoa…



Na realidade todo o filme gira ao redor desta “date” que os dois tem nesse domingo de Páscoa, antes de chegar-mos ao final feliz…

(Gosto de relembrar que um dos produtores foi chamado às pressas ao studio no primeiro dia de filmagens de “Easter Parade”. Judy e Fred tinham que beijar-se numa cena e Judy se recusava a faze-lo. “Porque?”, perguntou o produtor. Sua resposta foi simplesmente “Ainda não fomos apresentados”. O gelo foi quebrado e os dois se admiraram mútuamente até o final do trabalho – ao contrário de muitas lendas que são contadas sobre o “comportamento” de Garland durante filmagens. “Parade” tornou-se nas bilheterias o filme de maior sucesso tanto de Judy como de Fred)



„In your Easter bonnet, with all the frills upon it,
You’ll be the grandest fella in the easter parade”




“I'll be all in clover and when they look us over,



We'll be the proudest couple in the easter parade”



“On the avenue, fifth avenue, the photographers will snap us,
And you'll find that you're in the rotogravure”




“Oh, I could write a sonnet about your easter bonnet,
And of the guy I'm taking to the easter parade”




Esta “parada” anual acontece na Quinta Avenida entre as ruas 49 e 57 (Bem na altura da Catedral de St. Patrick’s) e é a “menos organizada" das paradas nova-yorkinas… é mais um “get-together” para se admirar os “bonnets” (gorros, chapéus de Páscoa como descritos na canção) e para ser admirado… Para ver e para ser visto!



Vendo uma foto desta parada em 1900 e uma outra da cena final do filme, só posso dizer:

Hooray!!! VIVA A METRO-GOLDWYN-MAYER!!!



Desejo a todos lindos feriados e Feliz Páscoa!!!!!

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Seems like old times: Uma canção e „Annie Hall“ ( ou “Memórias e os Ovos”? )

Sabemos, e está provado, que o olfato desperta nossas mais antigas e profundas memórias… Toda vez que chego ao Rio e no aeroporto do Galeão, sorry, Tom Jobim entro num taxi, sinto “cheiro de Rio” – aquela exagerada humidade do ar, misturada com o verde da baía de Guanabara e toda aquela fascinante poluição unida à pitoresca “sujeira” que nos dá as “Boas-Vindas” à cidade maravilhosa.

A caminho da Zona Sul sempre me “pego” relembrando coisas que se passaram já há décadas… Old times… Viagens para Penedo, aquele caminho antigo pela Avenida Brasil para pegar a Dutra em direção a São Paulo, adolescencia... Como era bom sair do Rio...

A música exerce sobre mim o mesmo efeito e estranhamente “tropecei” numa velha memória, que ainda por coincidência cita ostentativamente “old times”…



"Seems Like Old Times" é uma lindíssima, romantica canção popular bem emocional... música e letra de Carmen Lombardo & John Jacob Loeb de 1945.

Ela não foi gravada muitas vezes (fala-se de uma boa versão de Ella Fitzgerald de 1968) e eu só vim conhece-la através de “Annie Hall” (bobamente chamado no Brasil de “Noivo neurótico, Noiva nervosa”), sensível filme de Woody Allen de 1977 no qual ela tem um papel central no enredo – também nas memórias do personagem masculino principal “Alvy Singer” (Allen).





Interpretada pela "levada" Diane Keaton (que por este filme aliás, ganhou um Oscar), com aquela vozinha dela que “mal chega” mas que é afinadíssima, extremamente efetiva e muito agradável, ela tornou-se um “hino” da minha juventude. Em 1977 o mundo estava todo ali, esperando por mim, esperando para ser descoberto… E eu acho que revi “Annie Hall” no cinema pelo menos umas dez vezes. Adorava o filme e também aquele „LOOKDiane Keaton que na época nos influenciou muito… muito mesmo... (a mim até hoje!)



Gravei as músicas e vários diálogos com meu gravadorzinho, vi uma sessão de “meia-noite” no Caruso ser interrompida porque um morcego estava voando na sala, fui acompanhando o filme até ele acabar sua “tournée” pelo “circuito” dos cinemas do Rio…

Comédia de Woody Allen? Definivamente. Mas também uma das maiores declarações de amor já colocadas nas telas… Um “mundo” composto de N.Y., livros, ativismo político, Mozart, depressão, metafísica, memórias de infancia, crises existenciais, programas de rádio e TV, músicas, ciúme, psiquiatras, amor, reflexões… e aquele descabido amor que Woody sente por N.Y.



Diane Keaton a canta num “Night-Club”, com seu jeito todo pessoal:

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A segunda vez porém, na qual “Old times” é tocada, somos confrontados com Allen e Keaton, aliás Alvy e Annie, se reencontrando, muito tempo após sua separação, num café em Manhattan (e depois com uma série de sentimentais “flash-backs” dos dois). No final desta cena Woody nos conta uma velha piada de Groucho Marx:

Um homem vai a um psiquiatra e diz
- “Doutor, o meu irmão está maluco, pensa que ele é uma galinha”
("Doc, uh, my brother's crazy; he thinks he's a chicken.")
- “Bem, porque voce não o interna?”
("Well, why don't you turn him in?")
- “Eu o faria... mas preciso dos ovos… “
("I would... but I need the eggs.")

E arremata, terminando o filme com este lindo pensamento (não tão típico para uma comédia mas “Allen” em sua essencia):

“Bem, eu acho que é bem assim o jeito como me sinto sobre as relações; voce sabe, elas são totalmente irracionais e loucas e absurdas… Mas eu acho que seguimos vivendo-as porque, a maioria de nós… precisa dos ovos”
(Well, I guess that's pretty much now how I feel about relationships; y'know, they're totally irrational, and crazy, and absurd, and... but, uh, I guess we keep goin' through it because, uh, most of us... need the eggs)

Tudo isto ao som dos acordes e notas finais de “Seems like old times”.

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Genio não se discute… Um filme vencedor de 4 Oscars, entre eles os de melhor filme (1977), melhor diretor (Allen) e melhor atriz (Keaton). Woody Allen e seu uso inimitável e original da música americana nos seus filmes!

Detalhe: “Annie” é o apelido com o qual Keaton sempre foi chamada por sua família, “Hall” é seu real sobrenome…
O filme seguinte de Woody foi "Manhattan" (também com Keaton e mais uma cena com a Brooklyn Bridge) - outra declaração de amor... desta vez porém à N.Y.

sábado, 9 de abril de 2011

REMEMBERING: Madeline Kahn ( e tres cenas aloupradas... )

"As aventuras do irmão mais esperto de Sherlock Holmes" é um filme "esquecível".

Mas não para mim...

Foi uma daquelas enlouquecidas produções e comédias do final dos anos 70 que nos fez rir começando ou no Caruso ou Veneza, depois no Copacabana, no Paissandú... até acabar ou no "Coral" ou no "Scala", notórios "pulgueiros" da Praia de Botafogo (todos cinemas extintos do Rio de janeiro...).

Esta era a sequencia de cinemas (durante um "desaparecimento" de filme) para um cinéfilo no Rio - cada vez mais longes e em piores recintos.
Uma "via crucis" antes de perdermos o filme para sempre...

Isto em épocas - pasmem - em que não existiam vídeos e o único que conseguíamos "roubar" de um filme predileto era o diálogo (ou trilha sonora) através de um gravadorzinho portátil... com microfone! ("o máximo"). Bem, de vez em quando conseguíamos um cartaz, umas fotos promocionais... Mas jamais confessarei "como"...



Aqui a inesquecível e talentosíssima Madeline Kahn junto a Gene Wilder e Marty Feldmann... Nossa, todos tres já mortos... e ainda me/nos fazendo rir!!!!!! Deus os tenha - e obrigado por toda esta deliciosa loucura encenada pelo fascinante Mel Brooks ( e com - como poderia me esquecer dele? Never! - Dom DeLuise!).

Madeline, por sinal, tinha feito "Twentieth Century" e por causa de seu comportamento tão cheio de "estrelismo" as portas de teatro da Broadway ficaram fechadas para ela até sua morte, há alguns anos atrás.
Uma pena... tanto talento mas "profissionalismo" nao perdoa quem falta a espetáculos e se faz de diva. Ela foi "desligada" da produção no meio da temporada... (Como me falaram que eu estava aqui dando uma indireta, cortei a frase que estava aqui).
Alguém ainda se lembra dela no enlouquecido "What's up, Doc?" de Peter Bogdanovich como Eunice?



ou em "Paper Moon" (também de Peter Bogdanovich) como a engraçada porém, patética (e muito triste) Trixie Delight? (Nome que aliás adoro). Por este foi até nomeada para um Oscar que perdeu para Tatum O'Neal.



ou como a (taradíssima) noiva de Frankenstein em "Jovem Frankenstein"????



ou até aqui em "Sherlock" numa louca versão de "O Baile des Máscaras" (Madeline foi na realidade treinada na juventude para ser cantora lírica!!!! E virou comediante! Delicioso caminho...)



Desculpem-me, só um pensamento, um curto intermezzo: não se pode dizer que o "Besteirol" foi criado no Brasil... Nasceu com esta safra de atores tão especiais da "escola" Mel Brooks.

Olhem estas cenas abaixo e comprovem! (E prestem atenção em como Gene "pira" completamente dançando o "Cangoroo". Adoro!!!!! Louco, louco...).

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e, como poderia faltar? "Un ballo in maschera"(Verdi) numa versão Melbrookiana... e na parte final Madeline canta, como que para mim :-), "Riccardo, Riccardo!".
Nossa que postagem maluca... mas temos estado tão sérios nos últimos tempos, que sentia que já era hora de trazer um pouco de bom-humor de novo para as "Tertúlias"!

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

REMEMBERING: "Tammy" e tantas outras estórias...


„Tammy“
é uma maravilhosa canção vencedora de um “Oscar” de um filminho bem medíocre chamado “Tammy and the Bachelor” que foi feito pela Universal.



Debbie Reynolds é “Tammy”, uma mocinha sulista, Leslie Nielsen (of all people), antes de ficar com aquela cara de “esclerosado” que adquiriu na sua velhice (que me parece ter começado aos 40) é o “mocinho”. Quem rouba o filme porém é a maravilhosa Mildred Natwick, grande atriz secundária com uma longa carreira, que neste filme só aparece com um gato que parece ser uma prolongação (ou será um prolongamento?) do seu próprio corpo… Reassisti Mildred há pouco, já bem idosa no seu último filme, “Ligações perigosas”, motivo da minha última postagem.



Esta música tem uma parte na “história” dos Leitner: minha mãe me conta que quando estava no auge de sua gravidez, um amigo americano de papai, “Ross” chegou ao Rio. Quando ela abriu a porta de entrada do apartamento para recebe-lo, com seu vestido vermelho e já com um “barrigão”, ele exclamou: “Parece um Papai Noel!!!!!”. Mamãe estava na época aprendendo violão (ela tocava piano) e estudando “Tammy”. Quando saíam à tardinha para passear pela calçada (então ainda bem estreita) da Avenida Atlantica, “Ross” ía-lhe ensinando a letra de “Tammy”. E os dois cantavam…
Boas amizades. Boas lembranças.

Não possuo uma foto dos tres (Mamãe, Papai e Ross) na praia de Copacabana, tenho porém esta, antes do meu nascimento, nas Tres Cachoeiras em Penedo – Tenho a ligeira desconfiança que quem a tirou foi Eliana Caminada… Foi num dia em que passearam para lá juntos com Dadá (tia de Eliana e pessoa muito, muito querida) e a Vovó dela (que me conheceu como bebe).



Em 1997 eu estava passeando no Algarve quando ouvi de uma lojinha de discos esta canção, que não ouvia há "milenios": Entrei e comprei na hora o CD… Ainda hoje o ouvimos! Esta música ocupa um lugar muito especial nas nossas memórias, sentimentos...

Às vezes gosto de colocar estas estórias aqui – é bom preservá-las…
Minha mãe chega amanhã à Viena pois no domingo celebramos juntos meu aniversário.
Que sortudo sou… Esta postagem é para lhe desejar uma boa viagem e dizer-lhe: "Bem-vinda!"

Aqui Debbie Reynolds numa interpretação gostosa e emocionada, até com um sotaque sulista bem convincente, nos conta como „Tammy is in love…”. Uma canção tão "básica", de linha melódica tão simples e ao mesmo tempo tão eficaz e emocional... Como disse: Boas lembranças!

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segunda-feira, 7 de março de 2011

The Boy Friend, 1970

Hoje acordei tarde (tirei o dia livre !) e com vontade de ouvir a trilha sonora de «The Boy Friend», filme divertidíssimo, louco e alucinado de Ken Russell para a MGM de 1970.

Russell usou a estória que estava desde 1954 nas prateleiras da Metro, acrescentou uma peça dentro do filme e colocou o original não mais como “roteiro principal” porém com uma estória paralela “por trás dos bastidores”, já que o original seria "pueril" demais (e o "tom" cínico dos anos 50 seria mal compreendido nos 70).

Uma delícia de filme, uma declaração de amor ao filme musical.



“Polly” o personagem central, tinha sido criada na Broadway por uma mocinha inglesa de 19 anos, em 1954: Julie Andrews, que causou um grande impacto (e causaria um ainda maior no ano seguinte, em “My fair Lady”) tonando-se da noite para o dia "Broadway's darling". Para a versão cinemaográfica Julie não foi cogitada – já não tinha idade para ser uma “ingenue” e andava numa fase muito triste de sua carreira, com muita falta de exito... O disco do “original Broadway cast” de 1954 é uma destas delícias que um “tem que ter” e foi exatamente esta gravação que ouvi hoje pela manhã…



Twiggy (que na época foi chamada de ”deliciosamente amadora”) é Polly Brown, o grande e já falecido bailarino do Royal Ballet, Christopher Gable (sobre quem já algumas vezes escrevi aqui), é o “Namoradinho”. Um ótimo elenco coadjuvante liderado por Max Adrian (trabalhou muito com Russell), Moyra Fraser (enlouquecida como Madame Dubonnet), Antonia Ellis (que "arrasa" num Charleston... Antonia transformou-se depois na produtora de “Sex and the City”), Georgina Hale (com quem assisti muitos filmes... Seu número "It's never too late to fall in love" é uma delícia!), Barbara Windsor (fantástica como a empregada francesa!), Tommy Tune numa de suas raras aparições no cinema e até (pasmem) Glenda Jackson!!!! (como a real "estrela" do show que prende a perna num trilho de bonde... o que implica que sua "substituta" (Twiggy) tenha que entrar em cena... Que besteira!!! Que maravilha!!!)

Uma jóia de filme, bem empacotado dentro de um palquinho mágico onde tudo pode acontecer! Como uma caixinha de música!

(Sei que meu querido amigo Mauri vai gostar de rever estas ceninhas – dedico a ele esta “Tertúlia”!)






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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"La Bayadère" revisitada: O Reino das Sombras...



Poucas coisas me deixam tão animado, cheio de energia e excitado como pesquisar, aprender…

„Vibro“ literalmente ao encontrar (ou neste atual caso „reencontro“) um tema ao qual queira me dedicar por um (bom) tempo. A “excitacão” de estar aprendendo, conhecendo, toma conta de mim… fico feliz. Lembro com saudades da época à partir dos meus 14, 15 anos de idade… quando o aprendizado era constante, 24 horas por dia, pois os livros, as peças, os filmes, os ballets, os quadros, os poemas, os pensamentos estavam todos ali esperando por serem descobertos. Com o passar do tempo a gente se torna mais seletivo muitas vezes por uma questão de “gosto”, interesses… Mas mesmo assim…

Nunca tive e nunca terei qualquer ambição didática com este Blog (apesar da postagem de hoje poder dar esta impressão): não estou aqui para ensinar nada a ninguém – senão este Blog não chamaria-se “Tertúlias”, nome que implica numa “troca” de opiniões e acima de tudo na aceitação de opiniões alheias, diferentes das suas. Me disseram que não sei aceitar opiniões diferentes das minhas… Discordo. Questionar opiniões e discutí-las não significa “não aceitá-las” porém “querer compreende-las melhor, sentí-las e até aprender com elas” mas para isto temos que chegar a um ponto de aprendizado e compreensão pessoal no qual estamos completamente livres dos nossos próprios egos, orgulhos e do lado "emocional"…

Estou aqui para dividir com todos coisas que me tocam, coisas das quais gosto, coisas que admiro e coisas que talvez até “abomine” e “convido” todos para deixar aqui seus relatos, discutí-los abertamente...

Infelizmente o tempo torna-se cada vez mais curto para todos e sinto demais a tendencia que muitos tem em “se resumir” num vídeo ou curto pensamento (já li coisas do tipo "estou com calor") que é colocado, sem qualquer outro comentário ou opinião adicional, em plataformas à la “Facebook”. Distancio-me cada vez mais deste tipo de comunicação monologar (e vezes monossílabica) e volto a escrever mais longamente aqui e, quem sabe, talvez um dia me vá até daqui e retorne realmente a escrever só para mim… Coisas d’alma… Não quero a restrição da superficialidade da “obrigação de ser rápido e curto” (“senão ninguém vai ler o que escrevi!”).
Se tudo na vida fosse assim para que existiria o verbo “dissertar”?



Limpando umas prateleiras em casa “caiu” literalmente nas minhas mãos um velho VHS – da montagem de 1992 de Nureyev para a Ópera de Paris de "La Bayadère". Como há anos não assistia nenhum VHS resolvi colocá-lo, mas principalmente (não posso mentir!) para testar se o aparelho ainda funcionava… A febre de “La Bayadère” transformou-se numa "mania", numa epidemia dentro das minhas “quatro paredes”. Há poucos dias comecei a tirar livros de estantes, a imprimir toda e qualquer informação sobre este Ballet (só o relato da Wikipedia tem 28 páginas), a rever outras versões que tinha, estudar um pouco a partitura e cheguei até a encomendar do Amazon algumas outras versões que não conheco. Fascinante como de um momento para o outro nossa mente encontra mais um ponto de “interesse”. Amo estes momentos, estas fases… Claro que descobri muitas coisas interessantes, que se adicionaram ao meu humilde conhecimento deste Ballet – este fato transformou esta postagem um longo relato…

Gosto de contar «estórias» :

Em 1839 uma companhia de autenticas bayadères indianas (e hindus) visitou Paris. Théophile Gautier escreveu inspiradas páginas descrevendo a principal dançarina Amani. Muito depois em 1855 Gautier soube da trágica morte da bailarina que se enforcou num acesso de depressão numa nublada Londres por estar com saudades de sua terra natal… Como homenagem à bayadère ele escreveu o libretto para o Ballet “Sacountala”. O Ballet foi montado em Paris pelo irmão de Marius Petipa, Lucien. Este é o trabalho que muitos consideram como a real inspiração para a “La Bayadère” de Marius Petipa

Nas últimas semanas “redescobri” para minha extrema satisfação “La Bayadère”, Ballet com música de Ludwig Minkus (que apesar de ter passado 15 anos como compositor oficial do Ballet Imperial Russo, tendo composto “La Bayadère”, “Don Quixote” e “Le Corsaire” - pelos quais ele foi extremamente identificado com a “alma” do ballet russo - era um Vienense que não só nasceu como também morreu aqui).

A linha da estória é simples porém bem melodramática com todos os elementos “amados” pelas platéias de então (La Bayadère estreiou em 1877, no mesmo ano do original "O Lago dos Cisnes", não da versão de Petipa): lugares “exóticos” (India), espíritos (como em Giselle) capazes de coisas sobrenaturais, amor não realizado, intriga, morte, justiça/vingança (no Ballet época muito confundidas...)

A bailarina de templo (a bayadàre) Nikiya e o soldado Solor juram amor e eterna fidelidade. O sacerdote (o Alto Brahmin) está porém apaixonado por Nikiya. O Rajah Dugmanta seleciona Solor para casar com sua filha, Gamzatti, e pobre Nikiya sem desconfiar disso aceita dançar num “noivado”.
O Sacerdote ciumento quer que Solor seja morto e conta ao Rajah a verdade sobre o amor de Nikiya e Solor mas, “o tiro sai pela culatra” e o Rajah ordena a morte de Nikiya. Gamzatti que estava escutando a conversa dos dois ordena que Nikiya venha ao palácio. Quando esta porém descobre sobre o “noivado” de Gamzatti com Solor pega uma faca, numa reação não pensada, e tenta matar Gamzatti, sendo impedida pela Aya desta



Assim como seu pai Gamzatti decide que Nikiya vai morrer.

O segundo ato começa com celebração do noivado na qual Nikiya dança tristemente… quando porém recebe uma cesta de flores, pensa que esta vem de Solor e se alegra. Mal sabe que dentro dessa cesta encontra-se uma víbora, colocada ali por ordem do Rajah e de Ganzatti. Ela coloca a cesta tão próxima ao seu rosto que a cobra a ataca mordendo seu pescoço. O Sacerdote lhe oferece um antídoto mas Nikiya prefere a morte que encontra nos braços de Solor…



No terceiro ato Solor fuma opium e numa euforia de sonho-delírio (ou não?) tem a visão do “Reino das Sombras” (espíritos). Ali ele se reúne a Nikiya.

O quarto ato (ao qual nos referiremos mais tarde) se passa no templo no qual o casamento de Solor e Gamzatti acontecerá. O espírito de Nikiya está presente… Quando o Sacerdote une as mãos do casal em casamento os Deuses se vingam pelo assassinato de Nikiya e destruem não só o templo como também todos seus ocupantes.

FIM

Em algum momento da história, o quarto ato foi “perdido” e o final do Ballet passou a ser o final do III ato, ou seja no “sonho” do “Reino das Sombras” – o que tira muito da dramaticidade desta obra.



Alguns historiadores citaram as possíveis causas para esta drástica mudança: alguns acreditam que depois das enchentes de 1924 em Petrograd (St.Petersburg) a maioria dos cenários e guarda-roupa do IV ato, como encenado no Teatro Mariinsky, foi perdido. Outros dizem que numa Rússia « pós-revolução » não haveriam verbas suficientes para o suntuoso IV ato do Ballet. Uma outra explicação é a falta de técnica nesta fase (pois maquinarias estavam quebradas e não havia dinheiro para consertá-las) para produzir a destruição do templo… Uma última “explicação” sugere que o regime soviético da época não aprovava, por questão de princípios, uma apresentação teatral que incluísse temas como Deuses hindús destruíndo um templo.

Seja qual for a verdadeira razão, só em 1980 o mundo voltaria a ver um quarto ato e o ballet práticamente completamente restaurado…



Eu me lembro que em 1980 Natalia Makarova (acima) recuperou todo o “desaparecido” quarto ato tendo porém que mandar “reconstruir” muito da música pois a partitura se julgava perdida. Ironicamente esta partitura estava na íntegra na Rússia e só Nureyev em 1991 teve acesso a ela para sua versão para a Ópera de Paris em 1992 – apesar dele mesmo ter mantido o que chamou na época de “tradição russa” e ter encenado o Ballet SEM o quarto ato… sem sua “tragédia” final. A ironia é que esta chamada “tradição russa” foi imposta em épocas do comunismo – regime que Nureyev tanto abominava… Eu acho porém que a Nureyev talvez lhe faltaram «forças» - explico depois…

Apesar de « La Bayadére » sempre ter sido considerada um clássico na Russia o “Oeste” não conhecia este Ballet. A primeira apresentação do “Reino das Sombras” (que é na realidade a parte mais conhecida do Ballet e algumas vezes, cada vez mais raramente, encenada independente do Ballet) foi no Palais Garnier em Paris, em 1961. Dois anos mais tarde Nureyev remontou a cena para o Royal Ballet com Margot Fonteyn como Nikiya.



No Brasil muitos bailarinos e público, com exceção daqueles poucos privilegiadaos que tiveram a chance de assistir a montagem de Makarova no ABT, viram pela primeira vez «O Reino das Sombras» no cinema ! Sim, na cena de abertura do filme «The turning Point» (Momento de Decisão, 1977). (Correção do autor em 25.02.2011: Eugenia Feodorova havia montado o terceiro ato no Theatro Municipal com Berta Rosanova e Aldo Lotufo e 16 bailarinas no corpo de baile. Quem tiver a informação do ano desta montagem, por favor entre em contato comigo! Obrigado.)

Eu muito prezo várias partes da crítica que a inteligentíssima crítica de Dança Arlene Croce fez quando comentando a versão de Makarova para o American Ballet Theatre. Aqui um curto pedaço, repleto de percepção e sensibilidade:

“A coreografia, criada 17 anos antes do “definitivo” "Lago dos Cisnes”, é considerada como a maior expressão em grande escala do “sinfonismo” na dança. A matéria do “Reino das Sombras” não é realmente a Morte apesar de que todos, com exceção do herói, estão mortos. É felicidade encenada na eternidade. A sequencia de entrada com seus intermináveis “Arabesques” lentos cria a impressão de um grande «Crescendo» que parece aniquilar o tempo. Não há razão que possa impedir as bailarinas de continuar para sempre… Ballets passaram por gerações como lendas, adquiriram a pátina do ritualismo mas La Bayadère é um ritual real, um poema sobre a dança, a memória e o tempo. Cada dança parece adicionar algo à dança prévia, como um idioma sendo aprendido. O Ballet cresce rápidamente com esta constatação, que no início é sómente uma elocução primordial, e que na “Coda” explode com um explendor articulado” (Livre tradução minha)

Por causa do palco relativamente “pequeno” do Met (em relação ao do Mariinsky) Makarova foi forçada a reduzir o número de bailarinas no “Reino das Sombras” a 24 (originalmente eram 32 – e na “revival” de 1900 de Marius Petipa foram até 48!). O seu maior desafio foi porém o último “perdido” ato já que, como préviamente dito, pensava-se que a partitura original estava perdida. Natalia Makarova não tentou recriar o original de Petipas – apesar deste ter sido mudado infinitas vezes ao passar dos anos, até por Vaganova – e coreografou-o ela mesmo.
A première em 1980 foi triste: Makarova que também dançava o papel de Nikiya, machucou-se durante o primeiro ato e foi substituída por seu “second cast”, Marianna Tcherkassky. Solor foi bailado pelo explendido e incomparável Anthony Dowell e Cyntia Harvey deu vida à Gamzatti.



Makarova encenou «La Bayadère» para o Royal Ballet, para o Ballet do La Scala em Milano, para o Australian Ballet, para o Royal Swedish Ballet, para o Royal Dutch Ballet, para o Ballet do Teatro Colón em Buenos Aires e para o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com Cecília Kerche e Thiago Soares (informação da querida Eliana Caminada, um “dicionário” de Ballet que possuo como querida amiga!). Abaixo Baryshnikov como Solor.



A versão do “Reino das Sombras” que veremos abaixo é da versão de 1992 de Rudolph Nureyev: A administração da Ópera de Paris sabia que esta produção seria o último presente de Nureyev ao mundo, já que sua saúde estava deteriorando-se rápida- e progressivamente pelo seu estado avançado de HIV positivo.



Exatamente por isso, a administração cultural da Ópera deu-lhe uma enorme verba para esta produção com mais fundos vindos de várias doações privadas transformando a produção numa ainda mais suntuosa do que préviamente concebida. Que bonito. Chapeau! Abaixo Sylvie Guillem como Nikiya.



A produção foi um grande sucesso, aclamado pelo público e pela crítica. Apenas tres meses após a estréia Nureyev faleceu.

Aqui o tão comentado “Reino das Sombras”


Mais da próxima vez sobre "O Ídolo de Ouro" (ou como na versão de Makarova "O Ídolo de Bronze").