Mostrando postagens com marcador Musica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Musica. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Wiener Staatsoper: a talk with Igor Zapravdin

A talk with Igor Zapravdin: April 5th, 2017



Astrologically speaking, what you make of yourself is a “10th house matter”.

The 10th house describes your career, your public reputation, your worldly status. It suggests your optimum contribution to society, the qualities for which you'd like to be admired and respected.

People who have their “sun” in the 10th house are blessed with so much awareness that when they enter a room every single person turns in their direction. This has to be the case with Igor Zapravdin.


At the precise moment when he entered the Café, in which our interview was going to take place, he became the center of attention, in an almost ferocious but natural, uncomplicated way at the same time.

After shaking hands and exchanging a warm embrace, we sat down to “talk”. Oh, I do love talking to genius. I do love talking to people with broad experience and deep knowledge of their “métier”. It has been a long time since I realized that in order to go further, one has to ask questions. Many questions. Even if you feel that may be “silly”. When I think back at all people I have met, I sometimes think: why didn't I ask more? Why didn't I ask them to dinner so we could talk more? It is really a long time since I stopped being shy about asking too much. And I am glad about that! As Jane Fonda once said “It is so much better to be interested than interesting... “.


Igor Zapravdin was born in Sevastopol (Crimea) and started his musical studies at the early age of 6. When I asked him if he had ever also been to ballet classes he answered immediately “Of course, during my times in music school I also went to ballet classes... for about 6 years!”
That made it all clear to me – this unique understanding of ballet and of the needs of the ballet teacher. This unique feeling for tempo. “There must be a total feeling for the person you are working with. Class is a holly place. Respect and understanding are required. Albert (Mirzoyan) knows what he needs. I give it to him – But this understanding comes with time... We have been working together for so many years!”.

Mr. Zapravdin has been working since 1992 at the Vienna State Opera.

“I am a ballet pianist – you see, a ballet pianist can be a concert pianist but a concert pianist is not a ballet pianist!” he continued, “ There are three extremely important things: the ballet repertoire – even of unimportant pieces, capacity of improvisation and the knowledge of ballet technique itself! Without these three vital things, you cannot be a ballet pianist!”

Talking to him and concentrating on writing down every single important information is not an easy thing. He is quick, pin-pointed to the last details about his work and “his soul overflows with excitement” while he is talking. Talking about the things he loves most!

“Mr. Zapravdin, you have done a great work with the musical arrangements of “Le Corsaire”... “ I started to say. “Yes, that had to be done... You see, the score from “Le Corsaire” has not the musical quality of a “Giselle”. There were so many pieces that were added to it through the years. Music from eleven composers! I have reduced them to 5!”

“Which is your favourite com... ?“ Before I could finish my sentence he answered “Riccardo Drigo”, his eyes shining with delight a the very mention of his favourite composer.

A man of great stamina, Mr. Zapravdin has been working on extra projects that include a Gala in Luxembourg on May 20th & 21st (with Vladimir Malakhov, Lucia Lacarra, Marlon Dino, Eno Peci & Natascha Kusch among others), which unfortunately I will not be able to attend and his own 25 year Jubilee at the State Opera which will take place on October 29th at the Volkstheater, which I will surely attend to.


But that is the thing about Mr. Zapravdin his total dedication and love to a profession that found him. Yes, I do believe that artists do not look for their profession. They are chosen by it! And this the fascinating thing. I could still be sitting there, listening to the wisdom of this learned gentlemen! I am looking forward to learning more from him and from his infinite cultural baggage!

Many thanks!

Some facts about Mr. Zapravdin:

After attending music and Ballet school, Mr. Zapravdin continued his studies and graduated for composition and classical piano from the Academic Music College under the Moscow State Tchaikovsky Conservatory and Moscow State Pedagogical University. In Moscow he worked as a repetiteur in many different theatres such as “Stanislavskiy”, “ Nemirovich Danchenko Musical Theatre”, “The Musical Theatre for children” (Natalija Sac) and the “Russian State Ballet Theatre” under the direction of V.Gordeev.

Since 1992 he has been working at the “Vienna State Opera” as a Soloist and Ballet pianist. He has been in many productions as a Concert Pianist for Ballet productions, accompanying the Vienna State Opera on tournées to Luxembourg, Tokyo and Monte Carlo. Zapravdin has played in Russia, Austria, Paris, Varna, Budapest, Tokyo, South Korea, Luxembourg and Brazil.
He is the music director of the Nureyev-Gala in Kazan (Russia) and of the Fanny Elssler gala which takes him to play at the Bolshoi Theatre in Moscow. He also collaborated with the cellist and Orchestra Conductor Mstislav Rostropovich.



He has edited the musical arrangements of “La Bayadére”, “The Ice Queen” and from the “pas de six” from “Laurencia”. He has also published music CDs for Ballet lessons focused on the least known classical repertoire.

terça-feira, 29 de março de 2016

Glorious: Florence Forster Jenkins



Independente de suas (inquestionáveis) qualidades artísticas, temos que considerar Florence Forster Jenkins uma pessoa afortunada: uma que realizou seus sonhos na vida… e como!


Considerada nos seus “dias de glória” uma das piores cantoras que este mundo já presenciou, ela disse: “Some people say I cannot sing, but no one can say I did not sing!” (Algumas pessoas dizem que não posso cantar, mas ninguém pode dizer que não cantei!”).

Sua falta de ritmo, altura e tom (como imortalizadas em suas gravações) assim como sua terrível pronúncia (em qualquer língua) tornaram-se legendárias. Ridicularizada por todos, ela era objeto de gargalhadas durante seus “Concertos” porém esta mulher alegre e incansável, negou-se a deixar-se desiludir…


Sua vida foi analizada na peça “Glorious” (Erroneamente interpretada por Marília Pera em tons de “comédia”. Lembro.me de ter saído na metade do espetáculo), no filme frances inspirado em sua vida “Marguerite” e brevemente no cinema, com ninguém menos do que Meryl Streep dando vida a esta lutadora que tornou-se “culto” ainda durante sua vida: não podemos esquecer que “grandes” nomes da época como Noël Coward e Cole Porter assistiam seus recitais, normalmente feitos em hotéis como o Ritz para um publico seleto. Para evitar “jornalistas” e bisbilhoteiros Florence vendia pessoalmente as entradas, que eram disputadíssimas. Os artigos, que depois apareciam em jornais e revistas, eram escritos ou por ela mesma ou por amigos (Nota ironica da redação: Atenção para esta “auto-promoção”; já existente em épocas anteriores ao “Facebook” onde muitos parecem promover-se incansávelmente).

Não vou estender-me sobre dados biográficos da “diva do grito” (como também foi chamada) pois para isto a internet oferece muitas possibilidades mas não podemos deixar de acentuar um valor único que Florence teve. Ela até hoje é, indisputávelmente, a pior intérprete que Mozart, Strauss, Verdi & co. já tiveram em toda a história. Ela possuía uma forte segurança sobre seu “talento” e seu repertório era o que poderíamos chamar de dificílimo.



Gravou discos (nove árias ao total em 78rpm): seus amigos e seguidores tentaram convence-la de não gravá-los (pois achariam que ao “se ouvir” reconheceria sua total falta de talento) mas ela não deu nenhuma importancia a esses conselhos.

Acreditava piamente que suas gravações preservariam seu talento para futuras gerações, que seriam seu, por assim dizer, "legado" para o mundo das Artes.
E, aqui pergunto, estava errada?

Abaixo coloco um link de uma de suas preferidas árias: a da “Rainha da Noite” de “A flauta mágica” de Mozart (que deve se virar dentro do túmulo ouvindo-a… Sinto, um exemplo mal escolhido: não se sabe até hoje onde Mozart foi enterrado, já que foi tratado como um indigente): Ouvimos Florence até hoje! (E sabemos até onde está enterrada)



Aos 76 anos Florence “aceitou” apresentar-se para um público maior do que nos recitais do “Ritz” e estrelar um concerto no aclamado “Carnegie Hall” (só nos USA uma coisa assim é possível, não é verdade?). Como os ingressos se esgotaram em poucas horas, mais de duas mil pessoas tentaram fútilmente conseguir entradas na última hora…

Quem assistiu garante que foi uma apresentação inesquecível.
E interminável.
Entre uma ária e outra intervalos enormes eram necessários para Florence poder mudar seu elaboradíssimo figurino. Sua roupa com asas — ela a chamava de “Angel of inspiration” — tornou-se um clássico.
Conta-se que Tallulah Bankhead riu tanto durante a apresentação que teve que ser retirada do teatro
(Nota: Florence sempre disse que as risadas dadas durante suas apresentações eram dadas por pessoas que haviam sido pagas por “suas invejosas rivais”).



Um mês depois do concerto, Florence morreu. Há quem atribua a morte à depressão por, enfim, dar-se conta da reação do público em relação à sua “arte”.
É difícil de acreditar.
Em 32 anos de carreira, Florence, certamente, conheceu todo tipo de reação. Não seriam algumas gargalhadas mais escancaradas que a fariam desistir. Florence era uma estrela e sabia como tornar sua platéia feliz.

E ela realizou seus sonhos…

E brevemente no Cinema (mal posso esperar!):

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

La vie en rose? Será?



Nada mais adequado do que a impotencia e a incapacidade de Edith Piaf em termos de lidar com a vida para sublinhar e marcar estes dias de Novembro de 2015…

Dias nos quais me sinto triste.


Originalmente uma “tertúlia” para celebrar uma amiga (e um domingo muito especial e querido na feirinha de antiguidades da Gávea com ela, Suely, e seu querido esposo Ricardo) esta tornou-se uma tertúlia cheia de nostalgia, cheia de saudades de dias melhores…

Será que eles um dia retornarão?





segunda-feira, 21 de abril de 2014

"Loverly": Julie Andrews e seu ar contemplativo como Eliza...


Desde a versão de George Cukor de „My fair Lady“ (Warner, 1964), com Audrey Hepburn, o primeiro número de Eliza (“Wouldn’t it be loverly?”) vem-se transformando erroneamente num número “feliz”, cheio de sorrisos, risadas, felicidade... mas não foi isso o que Alan Jay Lerner, Frederick Loewe e Moss Hart „visualizaram“ para Eliza...
Muito pelo contrário.

Na versão original ela canta „o que poderia ser” de um ponto de vista mais meditativo, contemplativo…

Esta sempre foi MINHA teoria – infelizmente não era nascido quando o original foi feito na Broadway na estação teatral de 1955/56 e por este motivo não tinha como provar minhas suposições...


Mas não é que a vida me proporciona certas felicidades????

Encontrei um video de Julie (Andrews) num programa de televisão de Ed Sullivan de 1960.

Maravilhosa descoberta: Julie já estava em «Camelot» ao lado de Richard Burton mas para este programa recria esta cena que tinha feito até o ano anterior (já em Londres, depois da Broadway) com a coreografia original…

...e notem, o “ar” contemplativo, meditativo…´nada de falsas felicidades e afetações. Uma "flower girl" sonhando com um mundo melhor. Só isso!

“Loverly”. Eu tinha razão!

E tudo isto adicionado à simplicidade da coreografia, da cenografia e do "staging": AMO!

sábado, 25 de janeiro de 2014

The Music Lovers, 1970


Um esquecido filme de Ken Russell... O único realmente BOM trabalho de ator de Richard Chamberlain, acompanhado dos atores que faziam parte da "Companhia" de Ken e da maravilhosa, inesquecível Glenda Jackson...


Como a linguagem de Ken me fascina.

Até hoje.
Como por exemplo 44 anos depois deste filme ter sido feito...

Será que sua linguagem é assim, eterna?
Ou a idade me transforma num ser que só entende mesmo o que entendeu na juventude?
Pergunta difícil...

Se a segunda afirmação for verdadeira, terei que admitir que estou ficando velho...
E a afirmação de Lizzie Velasquez à qual me referi semana passada ("O que nos define?") torna-se ainda mais interessante - apesar de dolorosa.

Admitir que a "idade" me define...

Aí passo a sentir-me como a data de validade duma lata de boníssimo leite condensado que expirou...
Será?



P.S. Porque "leite condensado"? Por que nada tão denso, concentrado e rico me ocorreu...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tap, Tap... Tapioca (Julie Andrews & Thoroughly Modern Millie, 1967)



Tapioca não é nada mais nada menos do que fécula de Mandioca… proveniente do Nordeste do Brasil, ela foi levada para toda a América do Sul e mundo afora pelos portugueses e espanhóis, principalmente para a Asia e Africa…

Muitas vezes confundida com o Sago (sagú), que é original da Nova Guinea, a tapioca também é usada em sopas, doces, taças frias de sobremesas e Pudins… Nas ilhas britanicas e nos U.S.A. a Tapioca é constantemente usada nos maravilhosos pudins feitos com leite e Arrowroot… no Brasil deliciosamente chamada de araruta… proveniente das Américas, estudos arqueológicos nos deram evidencia do cultivo da araruta há mais de 7000 anos… ah… se as baianas e seus tabuleiros soubessem disso…


Semana passada encontrei num supermercado asiático Tapioca e resolvi fazer um “Tapioca pudding” na mais pura tradição inglesa (preparo-me psicológicamente para o meu anual “Plum Pudding” natalino!). As bolinhas de fécula sugaram tanto o leite morno na qual ficaram de molho que acabei com DOIS imensos pudins!

Mas se voces acham que esta é uma tertúlia culinária, muito se enganam…


Em “Thoroughly Modern Millie” (Positivamente Millie, 1967, George Roy Hill), um dos filmes mais deliciosos que conheço e “precursor” de uma onda de “nostalgia” que povoou as telas dos Cinemas dos anos 70, existe uma animadíssima cena dedicada à Tapioca…


“Jimmy” (interpretado pelo seríssimo ator britanico James Fox) quer dar um nome para uma nova dança que está querendo criar numa festinha dum pensionato de moças… pergunta a Millie (positivamente darling, Julie Andrews, maravilhosa na última chance que teve de fazer uma “ingénue”) o que comeu de jantar…

Não ficando muito contente com a perspectiva de chamar sua dança nem de "Franks" e nem de “Sauerkraut”(por razões bem óbvias… ) pergunta a Millie “O que mais?”. Com sua resposta “Tapioca pudding” sua inspiração é aguçada e se completa... Viva!!!!


Ele transforma esta fécula de Mandioca num delicioso, divertido, animadíssimo número de sapateado… “de lambuja” em papéis secundários Mary Tyler Moore e a maravilhosa, legendária Beatrice Lillie como Mrs. Meers... a dona do hotel que vende suas hóspedes como escravas brancas – mais sobre Bea Lillie outra vez!


Tap, Tap, Tapioca everybody!


I simply adore it!


quarta-feira, 15 de maio de 2013

O balanço "at Sundown"...




O balanço povoou muito o cinema dos anos 30, tendo tido uma curta „renascença“ nos anos 50...


(acima Joan Crawford e Gary Cooper, 1937, em "Today we live")

Relacionado à emoção e excitação do se balançar “até o alto” ele simbolizou, deu um “rosto” à muitas emoções nas telas cinematográficas: A luxúria de Marie Antoinette interpretada por Norma Shearer numa festa de jardim (Marie Antoinette, MGM 1939), a leviandade de Anne Rutherford e Heather Angel como as irmãs caçulas de Greer Garson em “Pride and Prejudice” (Orgulho e Preconceito, MGM 1940), o amor verdadeiro misturado com felicidade de Jeanette MacDonald em “Maytime” (MGM 1937) e até o ápice sexual de Joan Collins e Ray Milland em “The Girl in the red velvet Swing” (1955).



Meu preferido balanço do cinema é ainda uma curta cena de “Love me or leave me” (Ama-me ou esquece-me, MGM 1955) com Doris Day cantando "At Sundown" (canção que amo da trilha sonora de um filme que adoro! Que voz mais agradável tinha Doris... ), simplesmente balançando-se pelo puro prazer de se balançar… sem nenhuma outra conotação…



Não é necessário estar-mos sempre interpretando, vendo coisas onde elas não existem… não é?

sábado, 25 de agosto de 2012

If ever I would leave you

Canções de amor... existem tantas... existem tantas tão lindas…


Uma das mais significativas para mim é “If ever I would leave you” do quase esquecido “Camelot” (1968) de Joshua Logan


O musical tinha sido lançado em 3 de dezembro de 1960 na Broadway e foi um imediato sucesso… Richard Burton como o Rei Arthur, Julie Andrews como sua esposa Guenevere e Robert Goulet como Lancelot, um cavaleiro da “Távola redonda” e secreto amante de Guenevere, foram as estrelas do primeiro “cast”.


Burton eternizou as canções de uma forma falada, quase recitativa (como Rex Harrison em “Lady”), com seu perfeito sotaque britanico e inigualável dicção, Andrews, fascinante, no seu segundo musical de Lerner & Loewe, (voces sabiam que Frederick Loewe era vienense?), se estabeleceu definitivamente (depois de “The boyfriend” e “My fair Lady”) como rainha da Broadway e o bonito e talentoso barítono Robert Goulet, que criou um “alvorosso” nos corações femininos da época. Ouçam ao que me refiro...



(Pena ter levado o resto de sua carreira como cantor de shows em Las Vegas, desenvolvendo vícios vocais muito “poulares” na época, também usados por “cantorzinhos” como Johny Matthis, Eddie Fischer e Jack Jones. Uma pena.).


A fama deste musical de Lerner & Loewe (“Gigi”, “My fair Lady”) foi eternizada quando John F. Kennedy declarou-o seu musical predileto… Muitos ainda acreditam no fato que Kennedy e sua política muito se basearam na lenda de “Camelot”, o estado perfeito, onde TUDO era perfeito…

Oito anos mais tarde, Josh Logan imortalizou o período do «casting» do filme quando pronunciou o seguinte pensamento: “Can you see two men and two armies going to war over Julie Andrews?” (Voce podem imaginar dois homens e duas armadas indo para a guerra por causa de Julie Andrews?”). Eu, apesar de ser louco por Miss Andrews tenho que dar-lhe absoluta razão…

Ele decidiu-se por Vanessa Redgrave, que vinha de uma discutida atuação como Isadora Duncan em “Isadora” e começava a criar uma carreira cinematográfica. Óbviamente o filme perdeu muito em termos musicais – Miss Redgrave que realmente não canta, canta seus próprios números no filme, não tendo sido dublada, como por exemplo Audrey Hepburn em “My fair Lady” – mas ganhou muito em termos dramáticos…


Gostaria de chamar particular atenção para a beleza de Redgrave – hoje em dia não pensamos mais nesta atriz como uma “beleza” mas sim… ela foi lindíssima… e se voces olharem para a envelhecida Redgrave de hoje em dia com outros olhos verão no rosto desta setentona (75), traços inigualáveis de beleza. Abaixo ela ao lado de Richard Harris (King Arthur).


Durante as filmagens de “Camelot” Redgrave e o (lindíssimo) Franco Nero se apaixonaram…


Na cerimonia do “Oscar” ela “chocou” Hollywood e o mundo por aparecer para o evento descalça, em companhia de seu amante (Nero) e grávida… Como os tempos mudaram…

Eles até hoje estão juntos.



Mas voltando ao tema da canção: é mais um destes textos que “formula” de uma forma positiva o que poderia ser negativo… sabem o que quero dizer? Um dia destes perguntei à uma amiga (que está com certos problemas de saúde) não como estava sua «doença» porém como andava sua “melhora”. Uma ligeira diferença… que nos faz pensar, agir de forma mais positiva !

Deixo-os aqui para saborear mais uma “lembrança”, mais uma tertúlia, com o seguinte pedido: Prestem bastante atenção aos “close-ups” finais quando Nero canta/dubla:

Oh, no! not in spring-time!
Summer, winter or fall!
No, never could I leave you at all!


Verão a beleza de Redgrave à qual me refiro. Muito mais do que belos traços.
Uma beleza definida por muito “interior”. Profundo interior (Aquela mesma coisa que sempre nos fez ver que Katharine Hepburn era linda).

Canções de amor... existem tantas... existem tantas tão lindas… como esta!
e....
"No, never I could leave you at all..."

domingo, 15 de janeiro de 2012

Celebrando Debora Growald e sua arte!

Celebrando minha amiga Debora Growald....

Não vou escrever muito pois o foco central desta “tertúlia” está na arte e talento da minha querida amiga de (quase) toda uma vida.


Nosso reencontro em 2010 em Paris, onde reside, foi de extrema importancia para mim: revelou-me de novo que sentimentos verdadeiros não podem morrer, não acabam… Como alguém genialmente disse: "Amizade que acaba é porque não era!"


Tudo o que esta “menina” toca (e não só refiro-me ao “tocar piano”) se transforma numa obra de arte… da música de Rachmaninoff à “Forelle” de Schubert – na qual dançou… Sim foi a dança contemporanea que “selou” nossa amizade no final dos anos 70 no Rio de Janeiro: esta menina não faz de tudo mas o que faz, faz extremamente bem!

Uma coisa ainda quero mencionar: é uma obra de arte a forma com que, carinhosamente, cuida das suas amizades. Que sorte tenho de estar incluído nesta lista!

Como disse, o que “toca” transforma-se numa obra de arte!

Celebrando minha amiga Debora Growald!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Grand pas classique: Sylvie Guillem & Élizabeth Platel... Talentos únicos...

Hoje nada de longas postagens ou muitas estórias…

Só um pequeno, simples presente para os „Tertuliadores“, já que estou resfriado e de "molho" em casa...

Eu considero o “Grand pas classique” dificílimo… principalmente pela precisão e «limpeza» técnica que requere. Não é toda bailarina que se atreveu a dançá-lo…


Aqui a maravilhosa Sylvie Guillem, que sempre deu-me a impressão de desafiar algumas leis de gravidade, anatomia e tempo; uma das mais maravilhosas bailarinas que já tive a oportunidade e honra de assistir,


e a não menos talentosa e incrívelmente elegante e nobre (atributo, adjetivo que na maioria das vezes, no ballet, só é concedido ao "Danseur") Élizabeth Platel para voce terem a chance de ver «back-to-back» duas interpretações magníficas, brilhantes! ...mas não de compará-las.

Cada "take" leva a luz e o toque pessoal e único da maravilhosa bailarina que o interpreta!
Ambas "Étoiles" da Opera de Paris...
E tão diferentes...
Como diz em alemão: "Não compare maças com peras"

E aqui "entre nous": nada valería tanta técnica senão combinada com tanta personalidade e "alma"...

domingo, 23 de outubro de 2011

Ragtime: um perfeito retrato do preconceito, do medo e da ignorancia encenado a alto nível....

Quem tem um Blog normalmente compartilha com seus seguidores e amigos aquilo que gosta (ou não), suas coisas preferidas (ou não), suas idéias, suas críticas, suas novidades, suas férias, seu "diário" e, as vezes, também seus princípios… Como tenho, nos últimos tempos, compartilhado muito o que gosto, gostaria hoje de dividir com voces um princípio… um pensamento...


Quando escrevi as palavras preconceito, medo, ignorancia estava consciente do seu efeito, do seu significado… principalmente ignorancia.
Para que voces compreendam bem o meu “pointe” hoje, é extremamente necessário explicar como “vejo e sinto” esta palavra…

Temos a tendencia no nosso portugues de transformar o sentido original de muitas palavras… Exemplos? “Decadencia”, "Barato", “Polaco” (odeio essa palavra) só para citar alguns…

Quando no Brasil falamos de um “ignorante”, temos a tendencia de pensar logo num pobrezinho sem sapatos do interior, num pobre favelado ou num pobre que vem dos subúrbios todo dia para trabalhar na casa de alguém na Zona Sul… Generalizamos e colocamos uma imagem – para nós conhecida – dentro de nossas cabeças. Pois esta é a que conhecemos. Pensamos sómente em pessoas pertencentes à uma certa classe social, e elas são, para nós, pessoas sem instrução…

Quando eu me refiro à palavra “ignorancia” penso em sua origem… “ignorar” no “Aurélio”: “não ter conhecimento, desconhecer” e “ignorante”: “Diz-se de pessoa que ignora, que não tem conhecimento de determinada coisa”.

Há nisso uma diferença sutil porém essencial...

Tudo o que se refere à “instrução” aparece bem depois e não faz parte da “base” essencial desta palavra. Por isto para mim pessoas “nada humildes” poder ser consideradas „ignorantes“. E é este o sentido com o qual a palavra “Ignorancia” é usada no alemão. Não é só ignorante aquele que não sabe qual é capital do Holanda mas também aquele que ignora completamente seres humanos, despreza outras culturas… e , as vezes, nem está consciente disso!


Pensemos no musical “Ragtime”: baseado na famosíssima Novela de 1975 de Terrence McNally (alguém leu esse livro? Uma maravilha) ele conta a estória de tres grupos étnicos nos U.S.A. Uma única cena desta maravilhosa obra (que na época não foi um sucesso comercial) descreve perfeitamente a ignorancia à qual venho aqui me referindo. Nos tres grupos ! Este “desconhecer” outras culturas, formas de ser, idiomas, cores de pele, religiões, hábitos… Um processo não só muito conhecido nas nossas Américas mas muito, muito tendencioso aqui na Europa… Infelizmente!


Quando vejo o grupo dos “americanos” com suas roupas brancas, penso em “Meet me in St.Louis”, filme da MGM e de Minelli que também nos vendeu esta imagem “branca” da America, já que neste St.Louis não aparece durante toda a extensão do filme uma única pessoa representante de um outro grupo étnico… Já repararam como isso é incrívelmente comum em filmes da velha MGM?
Ignorancias da America e de Mr. Louis B. Mayer! Ignoravam simplesmente... e completamente!


Uma lembrança: lembro quando dei de presente este DVD a um conhecido meu na Alemanha. Ele disse: “Quase dormi, que chatura e tirei no meio…”. Ou seja ele ignorou uma coisa que muito lhe queria mostrar. Ignorou. Mas aí está a “seiva” do que quero dizer… A real ignorancia. E tanto ele ignora o que outros pensam, fazem profissionalmente e sentem que seu trabalho tem-se transformado numa sucessão de fracassos embaraçosos (mesmo que na província, onde o nível teatral é bem mais baixo). Ignorar é não aprender e não se desenvolver…

Assistam tranquilamente esta excepcional cena, que vocalmente chega ao limite do “musical”…
O coro é de um precisão tão perfeita, de uma qualidade tão maravilhosa que quase alcança o "território" que pertence à Ópera nas últimas barras.
Aliás, o “Coro” não. Os tres Coros…


Para quem curte e conhece a Broadway e seus "performers", é muito interessante ver-se a talentosíssima Audra McDonald (de vestido vermelho), começando sua carreira, nesse espetáculo!


Uma ex-bailarina e ex-conhecida minha disse um dia: “O pior ignorante é aquele que se acha sábio“. E ela, com sua conhecida precisão no expressar-se disse tudo! Falou uma grande verdade!

Eu gostaria porém de adicionar um outro pensamento à minha forma de “ver” e”entender” o sentido da palavra ignorancia: “Um ignorante generaliza” (refiro-me à idéias pré-concebidas sobre raças, nacionalidades, religiões!).
É triste!

Ragtime, “denuncia” preconceitos, medos e, acima de tudo, a ignorancia!
Viva Ragtime, impossível de ser ignorado!
Grande trabalho – e no nosso mundo atual, de suma importancia!

Era isso o que quiz compartilhar hoje com voces…